quinta-feira, junho 11, 2015

CPI da Petrobras aprova convocação do presidente do Instituto Lula

Paulo Okamotto terá de explicar doações da Camargo Corrêa à entidade.

Deputados também aprovaram acareações entre acusados da Lava Jato.

Fernanda CalgaroDo G1, em Brasília

Em sessão tensa, a CPI da Petrobras aprovou nesta quinta-feira (11) requerimento para convocar Paulo Okamotto, presidente do Instituto Lula, para prestar esclarecimentos sobre doações no valor de R$ 3 milhões à entidade feitas de 2011 a 2013 pela Camargo Corrêa, empresa investigada pela operação Lava Jato.
Os parlamentares também querem que ele explique o repasse realizado no período pela empreiteira de R$ 1,5 milhão para a empresa de palestras do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a L.I.L.S. Palestras Eventos e Publicidade.
 
OPERAÇÃO LAVA JATO
PF investiga lavagem de dinheiro.
A fim de barrar a análise do requerimento, deputados petistas lançaram mão de uma série de recursos previstos no regimento para tentar arrastar a sessão até o início das votações no plenário da Casa. Pelas regras, as comissões não podem deliberar enquanto houver votação no plenário. O deputado Afonso Florence (PT-BA) reclamou de haver uma tentativa de partidarizar os trabalhos do colegiado.
Também foram aprovados requerimentos para convocar parentes do doleiro Alberto Youssef, incluindo filhas, irmã e esposa, a viúva do ex-deputado José Janene, Stael Fernanda Janene, além da mulher do ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa. Deverá ser chamado ainda para depor como testemunha Jorge Hage, ex-ministro-chefe da Controladoria-Geral da União (CGU).
A comissão aprovou ainda a realização de acareações entre o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, o ex-diretor da Petrobras Renato Duque, o ex-gerente Pedro Barusco e Youssef, que ainda serão marcadas.
Os deputados aprovaram a transferência dos sigilos bancário, telefônico e fiscal de diversos suspeitos de envolvimento, incluindo o ex-ministro José Dirceu e a sua empresa de consultoria JD, Vaccari, Youssef e o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró.
Blindagem
O deputado Ivan Valente queixou-se mais uma vez da ausência na pauta de requerimentos para convocar Júlio Camargo, executivo da Toyo Setal e um dos delatores da Lava Jato. Segundo depoimento do doleiro Alberto Youssef, Camargo poderia confirmar o envolvimento do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e do ex-ministro José Dirceu no esquema de corrupção da estatal.
Valente também queria que fosse examinado requerimento para ouvir o ex-policial Jayme de Oliveira, vulgo Jayme Careca, que, em depoimento disse ter entregado valores para Fernando Soares, o Fernando Baiano, apontado como lobista do PMDB na Petrobras. “Vou entender como uma blindagem eterna feita pela CPI. Não podemos aceitar que pessoas que estão no foco da investigação não virem depor”, protestou Valente.
Aliado próximo de Cunha, o presidente da comissão negou que haja qualquer tipo de blindagem. “Não vou admitir que eu seja mau julgado por defender uma pauta que a CPI tem que cumprir”, disse
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