sexta-feira, junho 26, 2015

Petrobras posa de vítima em processo na Justiça americana

Logotipo da Petrobras é visto em frente à sede da empresa em São Paulo - 23/04/2015
Petrobras é alvo de uma série de ações movidas por investidores nos Estados Unidos(Paulo Whitaker/Reuters)
Repetindo a estratégia de atribuir o petrolão à iniciativa de "determinados funcionários de alto nível", como disse este mês a presidente Dilma Rousseff, a Petrobras pediu nesta quinta-feira à Justiça americana que rejeite a ação coletiva movida em Nova York por investidores. Fazendo-se de vítima, a estatal alegou que também foi lesada pelo esquema de corrupção, que só seria do conhecimento de alguns poucos funcionários - cinco, nas contas de Dilma -, ignorando os estreitos laços da cúpula da empresa com o governo e partidos da base aliada, que a Operação Lava Jato começou a desvendar no ano passado.
Falando em defesa da Petrobras, em audiência na corte federal nova-iorquina, o advogado Roger Cooper alegou que a fraude denunciada deve-se à má gestão de um grupo de responsáveis e não pode ser, assim, atribuído à empresa. Consequentemente, Cooper pediu ao juiz distrital de Nova York Jed Rakoff que negue o pedido dos demandantes - basicamente investidores e fundos de pensão americanos e europeus.
Os fundos investiram na Petrobras através de variados produtos financeiros baseados no valor estimado dos ativos da Petrobras. Depois do escândalo, houve uma abrupta desvalorização, gerando perdas nos portfólios de um grande número de investidores. "Os resultados da empresa foram inflados artificialmente, o que permite subentender um sistema de fraude em marcha", argumentou nesta quinta-feira o advogado Jeremy Lieberman, da parte dos demandantes.
Na ação, os investidores acusam a estatal de não divulgar apropriadamente as denúncias de corrupção, o que poderia minimizar o estrago. Só o Universities Superannuation Scheme, fundo de pensão do Reino Unido escolhido para ser o investidor líder da ação coletiva, afirma ter perdido 84 milhões de dólares desde 2010 por aplicar em bônus e ações da Petrobras.
A audiência durou cerca de 90 minutos, segundo o site do jornal O Estado de S.Paulo. O juiz não proferiu decisão sobre a solicitação da estatal, mas afirmou que o fará dentro de duas semanas.

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