quarta-feira, julho 26, 2017

PF prende auditor da Receita e empresário na Zelotes

A Polícia Federal prendeu duas pessoas na manhã desta quarta-feira em um desdobramento da Operação Zelotes, que investiga um esquema de corrupção envolvendo julgamentos no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf). O órgão julga recursos contra multas aplicadas pela Receita Federal.
Foram presos o auditor da Receita Eduardo Leite e Mario Pagnozzi. Leite, chefe da delegacia da Receita em São Paulo, é investigado em três processos. Pagnozzi é investigado por ser o operador da distribuição de propina para os envolvidos no esquema de corrupção.
Os dois se tornaram réus nesta segunda-feira, quando a Justiça Federal de Brasília aceitou denúncia do Ministério Público. Além de Leite e Pagnozzi, outras nove pessoas se tornaram rés investigadas pela Operação Zelotes.
Segundo o Ministério Público Federal, os denunciados atuavam para assegurar julgamentos e pareceres administrativos favoráveis ao Bank Boston, atualmente Itaú-Unibanco.
As investigações mostraram que dois grupos participavam do esquema: um em São Paulo e outro em Brasília. O núcleo de São Paulo era comandado por Leite. O principal nome do núcleo de Brasília é José Ricardo da Silva que ocupava o cargo de conselheiro do Carf.
De acordo com as investigações, o BankBoston pagou 44,9 milhões de reais ao longo de sete anos para o escritório de Pagnozzi, contratado para fazer a defesa administrativa do banco no Carf. A movimentação financeira registrada na conta pessoal de Pagnozzi saltou de 2,3 milhões de reais em 2006 para 96,9 milhões de reais em 2013
A lista de denunciados inclui o então diretor jurídico da empresa, Walcris Rosito, mas não tem representantes do Banco Itaú, que adquiriu a instituição financeira durante o período de tramitação dos recursos no tribunal administrativo.
Os réus responderão por corrupção, gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro, apropriação de dinheiro de instituição financeira e organização criminosa.
Procurado pela reportagem de VEJA, o Itaú disse que não é parte da ação, e que a transação não envolveu esse tipo de processo. “O Itaú reafirma que, em 2006, adquiriu as operações do BankBoston no Brasil, sendo que o contrato de aquisição não abrangeu a transferência dos processos tributários do BankBoston, que continuaram sob inteira responsabilidade do vendedor, o Bank of America. O Itaú não tem e não teve qualquer ingerência na condução de tais processos nem tampouco qualquer benefício das respectivas decisões”, diz trecho do comunicado.

terça-feira, julho 25, 2017

Janot avalia juntar dois crimes em denúncia contra Temer

O grupo de trabalho da Lava Jato na Procuradoria-Geral da República (PGR) pretende apresentar apenas mais uma denúncia contra o presidente Michel Temer, e não duas como chegou a ser cogitado em junho. Investigadores trabalham durante o recesso do Judiciário com a meta de encerrar a apuração que trata dos crimes de obstrução da Justiça e organização criminosa. O objetivo é finalizar a nova acusação formal antes do fim do mandato do procurador Rodrigo Janot, em setembro.
Temer foi denunciado ao Supremo Tribunal Federal há cerca de um mês por corrupção passiva com base na delação do Grupo J&F. A acusação foi remetida pelo ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo, à Câmara, que precisa autorizar o prosseguimento da denúncia. A votação em plenário está marcada para o próximo dia 2, quarta-feira, após a volta do recesso do Congresso. Na época, a PGR avaliou o oferecimento de mais duas denúncias contra o presidente, mas agora trabalha com a possibilidade de oferecer somente uma reunindo os dois crimes.
O objetivo é reforçar a narrativa da acusação contra Temer, explorando duas vertentes: uma na qual aponta o envolvimento do presidente da República com o grupo político do PMDB da Câmara, suspeito de praticar desvios na Petrobrás e na Caixa Econômica Federal; e outra que trata de eventual ligação de Temer com a suposta tentativa do empresário Joesley Batista de barrar os acordos de delação premiada do deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e do corretor Lúcio Funaro. Procuradores apontam conexão entre os crimes de organização criminosa e obstrução da Justiça.
O oferecimento de nova denúncia até setembro depende do encerramento do inquérito que investiga o PMDB da Câmara pelo crime de quadrilha. Desmembrada do inquérito original do “quadrilhão” que tramita no STF e investiga a atuação do PT, PMDB e PP na Petrobrás, a apuração contra os peemedebistas da Câmara mira na atuação desses políticos na indicação de aliados para postos importantes na Petrobrás e na Caixa. São investigados também políticos suspeitos de “vender” requerimentos e emendas parlamentares para beneficiar empreiteiras e banqueiros.
São alvo da investigação Cunha, o ex-ministro Henrique Eduardo Alves, Funaro e outros 12 suspeitos. A maioria das provas coletadas contra eles estão relacionada às Operações Sépsis e Cui Bono?, Desdobramentos da Operação Lava Jato. Além disso, as delações da Odebrecht e da JBS relatam uma série de atuações desse grupo político em troca de pagamento de propina. Nas duas delações, Temer é apontado como líder do PMDB da Câmara.
Na denúncia por corrupção passiva, a PGR pediu que o presidente fosse incluído no rol de investigados no inquérito do “quadrilhão” do PMDB da Câmara. No entendimento dos procuradores, a inclusão é possível porque a suspeita envolve crime que teria sido cometido no exercício do mandato. A apuração sobre a obstrução da Justiça está em andamento e aposta no acordo de colaboração de Funaro ou no de Cunha como complemento à delação de Joesley.
O presidente nega envolvimento em irregularidades e nos casos em que é citado. Em sua defesa, atacou a acusação do procurador-geral da República e o Ministério Público Federal.
(Com Estadão Conteúdo)

MST invade terras de ministro e senador em ação coordenada

Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) invadiram pelo menos cinco fazendas em diferentes estados na manhã desta terça-feira. Entre as terras ocupadas estão supostas propriedades do ministro da agricultura, Blairo Maggi (PP), do ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) Ricardo Teixeira, do Coronel Lima, amigo do presidente Michel Temer (PMDB) e do presidente do PP, senador Ciro Nogueira.
Segundo o MST, as terras invadidas estão envolvidas em “processos de corrupção ou a corruptos”. O movimento informa que as áreas são ocupadas por trabalhadores rurais, que  exigem a destinação das fazendas para assentamentos familiares.
O grupo também protesta pela violência no campo, que teria feito 68 vítimas em 2017, incluindo 13 jovens, 6 mulheres, 13 indígenas e 4 quilombolas.
Os latifundiários que possuem estas áreas são acusados, no cumprimento de função pública, de atos de corrupção, como lavagem de dinheiro, favorecimento ilícito, estelionato e outros”, afirma o MST. O movimento também se posiciona a favor do “afastamento imediato” de Michel Temer da Presidência e pede a convocação de eleições diretas. 
O ministro Blairo Maggi ainda não se manifestou sobre a invasão de sua fazenda. Os outros proprietários ainda não foram localizados.
A fazenda Nossa Senhora Aparecida, do ministro, é um dos latifúndios do Grupo Amaggi e fica no Mato Grosso, a 210 quilômetros da capital Cuiabá e a cerca de 25 quilômetros de Rondonópolis. Em nota, o MST menciona a fortuna da família Maggi, que, “segundo a Revista Forbes de 2014, ocupava o sétimo lugar no ranking entre as famílias mais bilionárias do Brasil, com uma fortuna estimada em 4,9 bilhões de dólares”, e afirma que a fazenda é fruto da apropriação de terras públicas.
Mais de 350 famílias ocupam a fazenda Santa Rosa, em Piraí, no sul do estado do Rio de Janeiro, que é citada pelo MST como sendo do ex-presidente da CBF Ricardo Teixeira, “notório denunciado e indiciado em casos de corrupção”. A nota do movimento cita investigações contra Teixeira por estelionato e lavagem de dinheiro e alega que “muitas destas lavagens de dinheiro passam pelo contexto da aquisição e valorização especulativa de grandes extensões de terras”.  A propriedade tem cerca de 1.500 hectares, conforme o MST.

MST ocupa fazenda de Ricardo Teixeira
Mais de 350 famílias ocuparam a fazenda Santa Rosa, do ex-presidente da CBF Ricardo Teixeira, em Piraí, Sul Fluminense, segundo o MST (MST/Reprodução)
Já a fazenda Esmeralda, do Coronel Lima, fica no município paulista de Duartina e também soma 1.500 hectares. Segundo o MST, a fazenda está oficialmente está registrada como sede da empresa Arquitetura e Engenharia LTDA (Argeplan), mas moradores da região a identificam como “fazenda do Temer” e afirmam que grande parte da área foi grilada.
No Piauí,  cerca de 1.000 famílias ocuparam a fazenda Junco, que pertenceria ao senador Ciro Nogueira, presidente nacional do PP —“partido aliado ao golpe”, segundo o MST. As famílias “denunciam a improdutividade da área” e reivindicam a desapropriação das terras para o fim de reforma agrária. A propriedade fica a 22 quilômetros da capital do estado, Teresina, perto da rodovia BR-316.  
No Paraná, cerca de 300 famílias ocuparam as fazenda Lupus 1, 2 e 3 na cidade de Alto Paraíso. O grupo  alega que, em 2007, o  Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) constatou em laudos técnicos a improdutividade da terra por “descumprir a sua função social, que é o uso adequado dos recursos naturais e a preservação do meio ambiente”. Segundo o MST, após o dono das terras —que não foi identificado pelo movimento— ter entrado com recurso, a Justiça Federal de Umuarama manteve a decisão do Incra, em 2013. A ocupação nas fazendas visa acelerar a arrecadação das terras.

Operação da PF prende pedófilos em 14 estados

Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira a segunda Fase da Operação Glasnost, que combate a exploração sexual de crianças e o compartilhamento de pornografia infantil.  Segundo a TV Globo, nessa segunda fase, deflagrada hoje, foram 20 prisões, sendo 17 em flagrante e 3 preventivas.
Cerca de 350 policiais federais estão cumprindo 72 mandados de busca e apreensão, 3 mandados de prisão preventiva e 2 mandados de condução coercitiva, em 51 municípios em 14 estados: Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Ceará, Pernambuco, Bahia, Maranhão, Piauí, Pará e Sergipe. 
A ação é uma sequência da operação Glasnost, deflagrada em novembro de 2013, ocasião em que foram cumpridos 80 mandados de busca e prisão e realizadas 30 prisões em flagrante por posse de pornografia infantil. Foram, ainda, identificados e presos diversos abusadores sexuais, bem como resgatadas vítimas, com idades entre 5 e 9 anos. 
A investigação teve como base o monitoramento de um site russo, utilizado como uma espécie de ponto de encontro de pedófilos do mundo todo, e resultou na identificação de centenas de usuários, brasileiros e estrangeiros, que compartilhavam pornografia infantil na internet, bem como de diversos abusadores sexuais e produtores de pornografia infantil, tendo sido identificadas, ainda, diversas crianças vítimas de abuso. 
Os investigados produziam e armazenavam fotos e vídeos de crianças, adolescentes e até mesmo de bebês com poucos meses de vida, muitos deles sendo abusados sexualmente por adultos, e as enviavam para contatos no Brasil e no exterior. 
O nome da operação – Glasnost – é uma referência ao termo russo que significa transparência. A palavra foi escolhida porque a maior parte dos investigados utilizava servidores russos para a divulgação de imagens de menores na internet e para realizar contatos com outros pedófilos ao redor do mundo. 

domingo, julho 23, 2017

Joesley Batista: ‘Entrego ao tempo missão de revelar a razão’

O empresário e delator Joesley Batista diz, em artigo publicado no jornal “Folha de S.Paulo” deste domingo, que, de uma hora para outra, passou de “maior produtor de proteína animal do mundo” a “notório falastrão”, “bandido confesso” e “tantas outras expressões desrespeitosas”. Joesley, que gravou conversa com o presidente Michel Temer, dando início à atual crise política, afirma que decidiu escrever o artigo para “acabar com mentiras e folclores” e “entregar ao tempo a missão de revelar a razão”.
O dono da JBS afirma que 17 de maio de 2017, quando a gravação com Temer se tornou pública, foi o dia de seu “renascimento”, “Senti-me um novo ser humano, com valores, entendimento e coragem para romper com elos inimagináveis de corrupção praticada pelas maiores autoridades do nosso país.”
Joesley diz também que, desde então, “vive num turbilhão para o qual são arrastados minha família, meus amigos e funcionários”. Segundo ele, políticos, que até então se beneficiavam dos recursos da J&F para suas campanhas eleitorais, passaram a criticá-lo, “lançando mão de mentiras”. “Disseram, por exemplo, que, depois da delação, eu estaria flanando livre e solto pela Quinta Avenida, quando, na verdade, nem em Nova York eu estava.”
“A lista de inverdades não parou por aí. Mentiram que eu estaria protegendo o ex-presidente Lula; mentiram que eu seria o responsável pelo vazamento do áudio para a imprensa para ganhar milhões com especulações financeiras, que eu teria editado as gravações”, escreve.
Ele afirma que “a única verdade que sei é que, desde aquele 17 de maio, estou focado na segurança de minha família e na saúde financeira das empresas, para continuar garantindo os 270 mil empregos que elas geram”. “Por isso, demos início a um agressivo plano de desinvestimento que tem tido considerável êxito, o que demonstra a qualidade da equipe e das empresas que administramos.”
O empresário acrescenta que, de volta a São Paulo, vê na imprensa “políticos me achincalhando no mesmo discurso em que tentam barrar o que chamam de ‘abuso de autoridade'”. “Eles estão em modo de negação. Não os julgo. Sei o que é isso. Antes de me decidir pela colaboração premiada, eu também fazia o mesmo. Achava que estava convencendo os outros, mas na realidade enganava a mim mesmo, traía a minha história, não honrava o passado de trabalho da minha família.”
Joesley reclama que “poucos mencionam a multa de 10,3 bilhões de reais que pagaremos, como resultante do nosso acordo de leniência”. “Não tenho dúvida de que esse acordo pagará com sobra possíveis danos à sociedade brasileira. Hoje, depois de 67 dias e 67 noites da divulgação da delação, resolvi escrever este artigo, não para me vitimar – o que jamais fiz -, mas para acabar com mentiras e folclores e dizer que sou feito de carne e osso. E entregar ao tempo a missão de revelar a razão”, conclui.
(Com Estadão Conteúdo)

Eleições 2018: Candidatos na pista

O Brasil está a menos de um ano das convenções partidárias que lançarão os próximos candidatos à Presidência da República. As siglas políticas poderão se reunir entre 20 de julho e 5 de agosto de 2018 para definir as chapas que deverão ser inscritas até o dia 15 de agosto. O primeiro turno das eleições será em 7 de outubro.
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já está em campanha. O petista, sentenciado pelo juiz federal Sergio Moro a nove anos e seis meses de prisão no âmbito da Operação Lava Jato, só poderá se lançar como candidato se não for condenado em segunda instância.
Outro político que já está na corrida é o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ), que deve trocar de partido e tem se portado como um antagonista à candidatura de Lula. Ele terá até o dia 7 de abril para estar filiado a uma sigla. Também já estão na pista o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) e o senador Alvaro Dias (Podemos-PR).
A ex-senadora Marina Silva não tornou oficial sua pré-candidatura, mas a Rede – partido que preside – trabalha internamente com os cenários que ela terá de enfrentar para não perder a terceira eleição consecutiva – chegou em terceiro lugar em 2010 e 2014. No PSDB, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, conseguirá se lançar na disputa se barrar o crescimento do prefeito paulistano, João Doria, e superar a tímida concorrência do senador José Serra (SP).
Há ainda surpresas que podem aparecer na disputa, entre elas o ex-presidente do STF Joaquim Barbosa, que conversa com a Rede e o PSB, o atual ministro da Fazenda, Henrique Meirelles (PSD), e o senador Cristovam Buarque (PPS-DF). Já o PMDB, o maior partido do país, deve entrar em mais uma eleição sem ter uma indicação própria ao Planalto.

Lula

O ex-presidente Lula lidera a corrida para o Planalto com 30% das intenções de voto, segundo pesquisa Datafolha de junho (Ricardo Matsukawa/VEJA.com)
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de 71 anos, é a única opção que permite ao PT sonhar com o retorno ao Palácio do Planalto. A última pesquisa Datafolha, de 26 de junho, mostrou que o petista tem 30% das intenções de voto no primeiro turno – Bolsonaro, segundo colocado, soma 16%. A candidatura depende, no entanto, da decisão que o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) emitirá sobre a condenação do petista em primeira instância.
Se o TRF4 validar a decisão de Moro antes de 15 de agosto, prazo final para o registro de candidaturas, o ex-presidente será enquadrado na Lei da Ficha Limpae ficará inelegível. Caso a decisão seja proferida após a data limite, Lula ficará com a candidatura pendente de uma decisão judicial.
Há alas dentro do PT que defendem um boicote do partido às eleições caso Lula seja impedido de concorrer, sob a alegação de que o pleito seria fraudulento. O ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, principal alternativa do partido à candidatura do ex-presidente, contabilizou apenas 3% das intenções de voto na última pesquisa Datafolha. Outro cenário possível para a sigla seria declarar apoio à candidatura do pedetista Ciro Gomes.

Ciro Gomes

Ciro Gomes
O pedetista Ciro Gomes quer conquistar os votos de eleitores que se identificam com bandeiras de esquerda (Chico Peixoto/Estadão Conteúdo)
A pré-candidatura de Ciro Gomes à Presidência da República foi anunciada pelo PDT em dezembro de 2015. Desde então, o ex-ministro da Integração Nacional do governo Lula viaja pelo país e investe em declarações controversas para ganhar terreno entre os eleitores de esquerda. Em março, Ciro afirmou que receberia a “turma” do juiz Sergio Moro “na bala” para não ter de cumprir uma eventual ordem de prisão. Em outra ocasião, o ex-governador do Ceará e ex-ministro disse que o prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), era um “farsante”.
Ciro, de 59 anos, vinha dizendo que não se candidataria à Presidência caso Lula estivesse no páreo, mas aos poucos tem mudado o tom de suas declarações. Na terça-feira, ele fez diversas críticas ao ex-presidente e o responsabilizou pela crise política do país. “Lula é sombra de mangueira. Não nasce nada embaixo. Está errado”, disse o pedetista ao jornal Valor Econômico.
O presidente do PDT, Carlos Lupi, disse que Ciro precisará honrar o compromisso firmado com a legenda. “Ele terá de acatar a decisão do partido. Tivemos em março a nossa convenção nacional, e a candidatura do Ciro foi confirmada por ampla maioria. É pouquíssimo provável que haja uma desistência, porque ele passa a ser um instrumento da unidade coletiva. Isso é preponderante diante de sua vontade pessoal.”
Lupi disse que a experiência de Ciro será um diferencial para conquistar o eleitorado, sobretudo a parcela que ficará “órfã” caso Lula seja impedido de concorrer. “Não creio que o país partirá para uma aventura. A população quer alguém que conheça a máquina e que já tenha sido testado. Podem ter ocorrido polêmicas e afirmações mais ásperas por onde o Ciro passou, mas nunca houve corrupção. Essa mazela ele não tem em seu histórico.”
O presidente do partido diz não contar com a possibilidade de Haddad sair como vice-presidente na chapa encabeçada por Ciro. “Houve conversas paralelas e sondagens, mas considero particularmente difícil, porque o PT não desistirá da candidatura do Lula.”

Jair Bolsonaro 

O deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ)
O deputado federal Jair Bolsonaro não definiu o partido que abrigará sua candidatura à Presidência (Dida Sampaio/Estadão Conteúdo)
O militar da reserva vinha externando o desejo de concorrer à Presidência desde 2014. Há 27 anos no Congresso, Jair Messias Bolsonaro, 62 anos, anunciou em março de 2016 a pré-candidatura pelo PSC, mas desavenças com o presidente da sigla, Pastor Everaldo, fizeram o deputado federal buscar um novo partido para se lançar ao cargo.
Bolsonaro afirma que o prazo limite para deixar o PSC é março de 2018, quando está marcada a próxima “janela partidária” – um projeto de reforma política pretende antecipar o prazo. O deputado já teve conversas com o PSDC, de José Maria Eymael, o PHS e o Muda Brasil, um projeto de partido capitaneado por Valdemar Costa Neto, condenado no Mensalão.
Apesar de flertar com siglas nanicas, Bolsonaro afirma que conseguirá vencer a eleição sem ter tempo de televisão nem fundo partidário. “As redes sociais terão um peso muito grande aqui no Brasil. Estou apostando que irá para o segundo turno quem tiver 22% das intenções de votos. O horário gratuito tem a sua importância, mas está perdendo força. Se eu for para o segundo turno, todo mundo estará em situação de igualdade.”
O deputado federal diz que a candidatura à Presidência é “uma missão de Deus” e que considera um “absurdo” ser classificado como um político de extrema direita por conta de seus posicionamentos conservadores e do apreço que nutre pela ditadura militar (1964-1985). A base de sua plataforma política, diz, será “diminuir a temperatura da questão da segurança no país”.

Alvaro Dias 

O senador Álvaro Dias (PV)
O senador Alvaro Dias (PR) é a aposta do Podemos para as eleições presidenciais (Divulgação/Agência Brasil)
Eleito senador pela quarta vez em 2014, Alvaro Dias deixou o PSDB no ano passado para se filiar ao PV. Em maio, o político de 72 anos trocou novamente de partido e passou a integrar o quadro do Podemos, que foi autorizado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a substituir o registro do PTN. Dias disse aceitou ser pré-candidato à Presidência após uma convocação de sua nova sigla.
Dias já foi vereador, deputado estadual e federal e governador do Paraná. Ele diz confiar no julgamento das “pessoas lúcidas” para não sofrer com o desgaste que atinge a classe política. “Espero que a população separe o joio do trigo e não generalize”, afirmou. “O politico modernizador não é aquele que tem pouca idade, mas aquele que tem a capacidade de fazer a leitura do dinamismo social e das mudanças que ocorrem na sociedade.”
O Podemos carrega o mesmo nome do partido de esquerda espanhol, mas, segundo Dias, terá um posicionamento político de centro e será liberal na economia. “A consulta popular nos indica que a maioria da população brasileira deseja isso”, disse o senador, que prefere identificar sua atual sigla como um movimento. “A Lava Jato completou a destruição dos partidos. Eles certamente serão julgados e condenados nas urnas.”

Rede 

Marina Silva
A ex-senadora Marina Silva (Rede) deve concorrer à Presidência pela terceira vez consecutiva (NELSON ALMEIDA/AFP)
“Não temos outra alternativa que não seja Marina Silva. Ela é  nossa candidata a presidente e para quem eu trabalho nesse sentido”, disse o senador Randolfe Rodrigues (AP), a principal liderança da Rede no Congresso. A candidatura da ex-senadora de 59 anos é dada como certa pela sigla, mas Marina não manifestou publicamente o desejo de entrar na disputa pela terceira vez consecutiva.
Marina ficou em terceiro nas eleições de 2010 e 2014. Na última pesquisa Datafolha, ela somou 15% das intenções de voto e empatou tecnicamente com Bolsonaro na segunda colocação. Segundo Randolfe, a ex-senadora lançará uma candidatura “antissistêmica e contra o establishment que se tornou a política”.
Marina passou ilesa pelos escândalos de corrupção que devastaram Brasília, mas ouve cobranças para ser mais assertiva em seus posicionamentos. Randolfe afirma que as críticas são resultado da oposição feita pela Rede “aos dois pólos de poder, caracterizados por PT e PSDB”. “Alguém que se credencia dessa forma é atacado com mais intensidade. A Marina tem se manifestado no tempo dela, segundo a metodologia dela.”
Houve também especulações de que o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa poderia ser o vice-presidente de Marina. “Joaquim tem o perfil que a Rede pretende, mas essa é uma decisão unilateral dele”, disse Randolfe. “Farei o que puder para Joaquim se filiar ao partido. Estou convencido de que uma eventual chapa com ele e Marina teria enormes chances de conquistar as eleições.”

PSDB

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e o prefeito de São Paulo, João Doria
O prefeito de São Paulo, João Doria, jura lealdade a Geraldo Alckmin e diz não querer concorrer à Presidência (Danilo Verpa/Folhapress)
Assim como o PT, seu histórico adversário, o PSDB sofreu com a implicação dos seus principais quadros em escândalos de corrupção. O senador Aécio Neves (MG), derrotado no segundo turno das eleições de 2014 por Dilma Rousseff (PT), foi varrido para fora da disputa presidencial após se tornar alvo de nove inquéritos no STF. Entre as ações investigadas está o pedido de dois milhões de reais que o senador teria feito ao empresário Joesley Batista, da JBS.
A pré-candidatura será disputada entre o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin – candidato ao Planalto em 2006 –, e o prefeito paulistano, João Doria. O senador José Serra (SP) – candidato em 2002 e 2010 – não descarta concorrer ao cargo, mas as menções ao seu nome nas delações de executivos da Odebrecht diminuíram seu capital político.
Alckmin, de 64 anos, foi o único que externou a vontade de ser presidente da República. Também citado nas delações da Odebrecht, o governador se fortaleceu dentro do partido ao defender por diversas vezes o desembarque tucano da gestão de Michel Temer (PMDB). Ele repetiu por diversas vezes que o compromisso da sigla deveria ser apenas com as reformas políticas. “Defendi lá atrás que o PSDB não ocupasse cargos [no governo]”, disse Alckmin, cujo partido tem quatro ministérios no governo.
A candidatura de Doria, de 59 anos, passou a ser vista com bons olhos pelo fato de o prefeito ser um “outsider” que passou incólume por escândalos. Doria, que jura lealdade à candidatura de Alckmin – seu padrinho político –, tenta ampliar o seu alcance político com viagens pelo Brasil e declarações duras contra o ex-presidente Lula e o PT. Falta, no entanto, fortalecer a sua imagem dentro do partido para bater de frente com o governador paulista.

PMDB 

O PMDB, do presidente Michel Temer, não deu mostras de que disputará o Planalto com candidato próprio (Cristiano Mariz/VEJA)
É o maior partido do Brasil, com sete governadores e as maiores bancadas na Câmara e no Senado. Também é a sigla do atual presidente da República, Michel Temer. Apesar dos números expressivos, o PMDB não deu mostras de que terá um candidato próprio à Presidência. “Ao longo dos anos, o PMDB ficou a reboque de partidos que não têm a sua história em troca de cargos e favores de governo”, disse o ex-governador do Rio Grande do Sul Germano Rigotto. “Rótulos de fisiologismo, clientelismo e outros piores grudaram no PMDB por isso.”
Rigotto declarou, em maio, que seria pré-candidato à Presidência pela sigla, mas diz ter feito o pronunciamento para mostrar que o PMDB tem nomes e condições de construir uma candidatura própria. “Eu não tenho mais mandato. Não tenho a visibilidade que um mandato dá”, afirmou. “Mas o PMDB tem que construir uma candidatura e empurrá-la com a força que o partido tem em todo Brasil, com bons tempos de rádio e televisão, para ser uma alternativa a todo esse processo político. Quem deve ser? É preciso buscar um nome nos próximos meses.”
Contra a proposta de Rigotto pesam os altos níveis de rejeição ao partido. Todas as lideranças do PMDB foram implicadas em escândalos, sendo que os ex-deputados federais Eduardo Cunha (RJ) e Henrique Eduardo Alves (RN) e o ex-governador do Rio de Janeiro Sergio Cabral estão presos. Temer é alvo de denúncia por corrupção passiva, enquanto os senadores Renan Calheiros (AL) e Romero Jucá (RR) – presidente do partido – estão atolados em denúncias.

Surpresas 

Joaquim Barbosa
O ex-ministro do STF Joaquim Barbosa já conversou com a Rede e o PSB (Nelson Jr./SCO/STF/Divulgação)
Ser vice de Marina Silva não é a única opção para Joaquim Barbosa, de 62 anos, Além de ter conversado com a Rede, o ex-ministro do STF se reuniu com dirigentes do PSB. A oferta do partido socialista seria uma candidatura própria à Presidência. “A decisão de me candidatar ou não está na minha esfera de deliberação. Só que eu sou muito hesitante em relação a isso. Não sei se decidirei positivamente neste sentido”, disse Barbosa no início de junho.
O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, de 71 anos, chegou a ser especulado como substituto de Temer em uma eventual eleição indireta. O PSD, partido ao qual Meirelles é filiado, não trata de nomes publicamente. Em nota, o presidente em exercício da sigla, Alfredo Cotait Neto, disse que a legenda “possui bons quadros e buscará lançar candidatura própria também na disputa presidencial”.
Já o senador Cristovam Buarque (DF), de 73 anos, disse que poderia repetir a candidatura presidencial que lançou em 2006 caso fosse do interesse do PPS. “Não vou pleitear, mas se o PPS quiser, estou disposto e pronto. Numa disputa em que vemos pesquisas com a cara do passado, com a cara de Lula e Bolsonaro, creio que qualquer político tem o direito de estar disponível para concorrer à Presidência”, disse. Cristovam afirmou que encontra simpatia para se candidatar à Presidência entre as bases do partido, mas nunca chegou a tratar do assunto com os dirigentes do PPS.