quinta-feira, junho 10, 2010

QUATRO CVTs SERÃO FECHADOS


Centros de capacitação profissional no Interior do Ceará estão sob ameaça de fechamento

Quixadá. Os Centros Vocacionais Tecnológicos (CVTs) de Quixadá, Crateús, Jaguaribe e Tauá devem encerrar suas atividades até o fim do ano. A notícia foi divulgada pelo coordenador do CVT de Quixadá, Idelbrando Lima, na última sessão ordinária da Câmara de Vereadores deste Município. De acordo com ele, a decisão está sendo tomada em razão da implantação de unidades do Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE) nessas cidades. Os IFCEs suprirão as necessidades de qualificação técnica nessas regiões.

Em razão da medida, os cursos de Informática, Manutenção de Computadores, Eletrotécnico, Mecânica de Motocicletas e pelo menos outros dez não serão mais ofertados à população das quatro cidades do Interior. Até o fim do ano os laboratórios de Biologia, Física e Química de Quixadá serão transferidos para a Faculdade de Educação Ciências e Letras do Sertão Central (Feclesc), onde o CVT funciona desde 2001.

Desde então, mais de 10 mil pessoas receberam algum tipo de capacitação voltada ao mercado de trabalho local.

Surpresa e críticas, essas foram as reações dos vereadores de Quixadá diante do anúncio público. Não concordam com o fechamento do CVT desta cidade. A presidenta da Câmara, Edi Leal, deve seguir com uma comitiva ao gabinete do governador Cid Gomes. Os parlamentares querem expressar pessoalmente a importância do CVT para o Município, principalmente para quem possui baixa renda, não tem condição econômica para custear cursos profissionalizantes específicos para o comércio e a indústria. Os vereadores e o coordenador do CVT de Quixadá discordam da justificativa apresentada pelo presidente do Instituto Centro de Ensino Tecnológico (Centec), Odorico Monteiro, para desativação dos centros de formação vocacional mantidos pelo Estado. Para eles, os Institutos Federais estão formando profissionais, entretanto, de nível superior. Os IFCEs atenderão outro nicho do mercado, de padrão mais elevado. "Determinar o fechamento dos CVTs é andar na contramão do nosso progresso", enfatizou Edi Leal. O presidente do CDL de Quixadá, Sérgio Costa, também discorda da decisão. Graças ao CVT os caixas dos supermercados da cidade estão funcionando. Hoje em dia, sem noções básicas de Informática seria muito mais difícil conquistar um emprego. É preciso acompanhar a tecnologia. Ele acaba de implantar um sistema novo em sua loja. Mesmo experientes, os funcionários estão sofrendo para se adaptarem. "O nosso País está sendo obrigado a importar mão-de-obra especializada. É preciso repensar esses conceitos. Sem qualificação básica não dá", afirma.

A comerciária Jaqueline Vieira não esconde sua gratidão ao CVT. Não estava nada fácil conseguir um emprego. Além da falta de experiência, não tinha nenhum conhecimento sobre os procedimentos dentro de um escritório. Concluir o Ensino Médio e chegar aos 25 anos dependendo economicamente dos pais não estava nos seus planos. Também não tinha dinheiro para custear um curso de secretariado. Por meio de uma amiga soube da oportunidade gratuita. Em quatro semanas conquistou conhecimento, confiança e seu primeiro emprego.

A assinatura da secretária e de outras cinco mil pessoas já constam no abaixoassinado a ser encaminhado ao secretário de Ciência, Tecnologia e Educação Superior do Estado do Ceará (Secitece), René Barreira. Os CVTs, são mantidos pelo Instituto Centro de Ensino Tecnológico (Centec); funcionam por contrato de gestão entre essa organização social independente e a Secitece. Por esse motivo a população pretende apelar ao representante do Governo do Estado para reversão do quadro.

Nas outras cidades ainda não houve mobilização popular, mas servidores dos CVTs apontam a mesma situação. Juntas, as quatro unidades prestam assistência a mais de quatro mil pessoas por ano. Segundo o monitor de curso em Quixadá, Delano Cruz, três turmas de 25 alunos cada já foram formadas. Alguns já montaram seus próprios negócios. Outros 300 aguardam a oportunidade na fila.

A reportagem procurou manter contato com o presidente do Instituto Centec, Odorico Monteiro. Foram efetuadas várias ligações, inclusive para o telefone pessoal. A sua assessoria justificou uma agenda lotada de compromissos, mas apenas ele fala sobre o assunto. Até o encerramento desta edição não houve retorno. Atualmente 33 CVTs estão em funcionamento, espalhados por todo o Estado. Até o fim do ano serão apenas 29

1 comentários:

  1. Nilo, realmente é uma pena que o CVT de Crateús venha a ter suas atividades encerradas. Fui parceiro do CVT quando ele era dirigido pelo
    Edmilson, era um senhor Centro, dirigido com competência e dedicação. Uma perda para nossa Crateús, que começou com a saída do Edmilsom. No CVT poderiam continuar os cursos de qualificação profissional como bombeiro hidráulico, mecânico, tratador de animais,apicultura, e tantos outros. Nós de Crateús poderíamos ser fornecedores de mão-de-obra qualificada para toda a região e resto do país. UMA PENA.

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