sexta-feira, outubro 20, 2017

Temer exonera ministros para votação da 2ª denúncia na Câmara


O presidente Michel Temer exonerou nesta sexta-feira (20) mais 8 dos 12 ministros que têm cargo de deputado. O objetivo é garantir votos na segunda denúncia feita contra o peemedebista pela Procuradoria Geral da República (PGR). A votação está prevista para o próximo dia 25.
Com as exonerações desta sexta, chega a 9 o número de ministros que estão fora de seus cargos para ajudar o presidente na votação da denúncia.
Foram exonerados os seguintes ministros nesta sexta:
  • Antonio Imbassahy - Secretaria de Governo
  • Bruno Cavalcanti de Araújo - Ministro das Cidades
  • Sarney Filho - Ministro do Meio Ambiente
  • Leonardo Picciani - Ministro do Esporte
  • Marx Beltrão - Ministro do Turismo
  • Maurício Quintella Lessa - Ministro dos Tranposrtes
  • Mendonça Filho - Ministro da Educação
  • Ronaldo Nogueira - Ministro do Trabalho
Temer já havia exonerado na quarta-feira (18) os ministros Fernando Bezerra Coelho Filho, de Minas e Energia, Raul Jungmann, da Defesa. O objetivo era frustrar os planos de uma ala do PSB que planejava uma manobra para conseguir indicar opositores do presidente Michel Temer à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), e assim barrar um parecer contrário à denúncia da PGR contra o presidente, que acabou aprovado.
Jungmann, entretanto, foi nomeado novamente como ministro nesta sexta-feira (20).
Para o deputado Júlio Delgado (PSB-MG), a exoneração dos ministros é uma “manobra clara” do Palácio do Planalto, que “interferiu dentro da bancada, no desejo de blindar Michel Temer tirando ministros para que possa alterar a votação de um parecer aqui na CCJ".
Entre os argumentos que chegaram a membros da bancada do PSB para justificar as exonerações está a proximidade do fim do prazo para que deputados apresentem emendas ao orçamento – recursos que serão destinados a obras em seus estados.

A denúncia contra o presidente

Temer foi denunciado pela Procuradoria Geral da República (PGR) pelos crimes de organização criminosa e obstrução de Justiça, e os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral), por organização criminosa.
Segundo a PGR, o grupo do PMDB ao qual eles pertencem atuou em estatais e em ministérios para obter propina. A procuradoria afirma, ainda, que Temer é o chefe da organização criminosa.
A defesa do presidente nega e diz que a denúncia é "libelo contra a democracia" e não tem "elemento confiável de prova".
Na quarta-feira (18), a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara aprovou, por 39 votos a 26 (e 1 abstenção), o relatório do deputado Bonifácio Andrada (PSDB-MG) que propõe a rejeição da denúnciacontra o presidente Michel Temer e os ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco.

Polícia faz operação para combater pedofilia em 24 estados e no DF

A Polícia Civil faz uma operação na manhã desta sexta-feira (20) para combater a pedofilia em 24 estados e no Distrito Federal. A Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) fez parceria com a Polícia Civil dos estados e até agora ao menos 80 pessoas foram presas em flagrante, segundo o Ministério da Justiça.
A operação Luz da Infância conta com 1.100 policiais e tem mandados de busca e apreensão e de condução coercitiva. Não havia previsão de mandados de prisão, mas os presos foram detidos em flagrante com material pornográfico infantil em quatro estados e no Distrito Federal. Só em São Paulo, são 31 mandados de busca e apreensão na capital, Grande São Paulo e interior de São Paulo. O foco da operação é o compartilhamento de fotos pela internet.
Os alvos da operação foram identificados por meio de um trabalho de cooperação entre a Diretoria de Inteligência da Senasp e a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil, Adidância da Polícia de Imigração e Alfandega em Brasília (US Immigration and Customs Enforcement-ICE). A investigação durou seis meses e foi coordenada pela Diretoria de Inteligência (DINT).
Ao menos dez homens foram presos em São Paulo. Cinco só na Grande SP e capital paulista: um em São Bernardo do Campo, dois na Zona Norte da capital paulista e dois na Zona Sul. Eles foram levados presos em flagrante à sede do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e os computadores dos presos foram apreendidos. Os mandados estão sendo cumpridos também em Santo André, Osasco, Carapicuíba, Campinas, Jundiaí, Catanduva e Praia Grande.
No Distrito Federal, ocorreram ao menos cinco prisões.
No Rio Grande do Sul, oito homens foram presos em flagrante. Também foram apreendidos celulares e computadores, além de armas na cidade de Viamão, na Região Metropolitana de Porto Alegre. Dois homens foram presos em São Leopoldo, na Região Metropolitana de Porto Alegre, e outros dois em Santa Maria, na Região Central do estado. Outros quatro homens foram detidos em Alvorada, Novo Hamburgo e São Leopoldo e em Lagoa Vermelha.
No Rio de Janeiro, estão sendo cumpridos mandados de busca e apreensão. A ação acontece, principalmente, na Baixada Fluminense e em São Gonçalo, na região metropolitana. Duas pessoas foram presas e encaminhadas à Cidade da Polícia, onde se concentram os órgãos de Segurança Pública do estado.
O conteúdo dos computadores está sendo analisado e, caso se confirme, a presença de imagens alusivas a menores de idade em situação de pornografia, os donos dos aparelhos serão autuados em flagrante pelo artigo 241-A do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA): "Oferecer, trocar, disponibilizar, transmitir, distribuir, publicar ou divulgar por qualquer meio, inclusive por meio de sistema de informática ou telemático, fotografia, vídeo ou outro registro que contenha cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente" com pena de reclusão de três a seis anos anos e multa.

Pedofilia

Pedófilos normalmente são pessoas adultas que tem preferência sexual por crianças pré-púberes ou no início da puberdade. O complexo ambiente da internet e a ausência de fronteiras no mundo virtual, são elementos que propiciam terreno fértil à atuação desses criminosos, segundo a polícia.
De acordo com a Polícia Civil, o nome Luz na Infância foi escolhido porque a internet facilita a pedofilia e, via de regra, "os criminosos atuam nas sombras, nos 'guetos' da rede mundial de computadores. Luz significa propiciar a essas crianças e adolescentes- vítimas- o resgate da sua dignidade bem como retirar da obscuridade esses criminosos".

quinta-feira, outubro 19, 2017

Ex-diretor da RioTrilhos diz que empreiteira ficou devendo propina em obra da Linha 4

Diretor da RioTrilhos, Heitor Lopes de Sousa Junior, no dia de sua prisão, em março (Foto: Cristina Boeckel)
Diretor da RioTrilhos, Heitor Lopes de Sousa Junior, no dia de sua prisão, em março (Foto: Cristina Boeckel)
A 7ª Vara Federal Criminal interrogou, na tarde desta quinta-feira (19), o ex-diretor da RioTrilhos Heitor Lopes de Souza Junior, por conta da suspeita de desvios das obras da Linha 4 do Metrô. Logo no início do depoimento, ele assumiu que recebeu a propina das empreiteiras, mas afirmou que recusou num primeiro momento.
De acordo com o diretor da RioTrilhos, a Carioca Engenharia ficou devendo parte das vantagens ilícitas e ele teria se recusado a cobrar.
“O que sei é que a Carioca não honrou o que tinha combinado. O Marcos Vidigal [que, segundo ele, operava a propina pela Odebrecht] me pediu para que eu cobrasse. Já achava que era uma coisa meio ilícita, muito mais cobrar. Não tinha essa cara de pau, achei absurdo cobrar uma coisa que fosse errada”, disse Lopes.
Procurada pelo G1, a Carioca Engenharia informou que não vai comentar.
Os pagamentos eram feitos em pacotes de dinheiro, segundo Heitor, que negou o recebimento através de pagamentos de sua empresa.

R$ 2,5 mi na conta para devolver

Heitor admitiu a negociação por uma delação premiada, mas negou que tenha feitos contratos fictícios para lavar dinheiro. Afirmou ainda que se dispõe a devolver o que, segundo ele, foi desviado: cerca de R$ 2,5 milhões. Segundo o MPF, Heitor movimentou R$ 36,1 milhões em lavagem de dinheiro.
“Esse valor recebido de 2,5 milhões está na minha conta e está disponível para ser retirado e tem que ser devolvido para o Estado. Tentei ao máximo acertar delação”, afirmou.

Choro e arrependimento

O réu se emocionou durante o depoimento e, ao se lembrar do pai, chorou.
“Esse dinheiro foi uma coisa ilícita, um erro absurdo que fiz na minha vida porque tenho 37 anos de metrô e nunca fiz nada de errado. Nunca percebi a nenhum grupo (político) no Metrô, que tem três níveis de arquiteto. Com 37 anos, só fiquei no segundo nível porque só era promovido quem pertencia a algum grupo. O pior para mim não é o arrependimento, que é grande, mas a vergonha é muito maior. Eu tenho o nome do meu pai. E a vergonha de (errar ao carregar o) nome dele. Meu pai foi um homem extremamente correto, era militar, e eu levar o nome dele para isso é uma vergonha”, declarou.
O interrogatório é comandado pelo juiz Marcelo Bretas, que julga processos da Lava Jato no Rio. Além de Heitor, que está preso desde março, serão ouvidos sua esposa Luciana Cavalcanti Gonçalves Maia e os empresários Jean Louis de Billy e Manoel José Salino Cortes.
Heitor foi preso na Operação Tolypeutes que investiga superfaturamentos na obra da Linha 4 do Metrô, que custou cerca de R$ 10 bilhões, e ficou pronta pouco antes da Olimpíada – cuja escolha agora também é investigada.
A propina seria paga através de empresas como a Arqline Arquitetura e Consultoria, da qual Jean Louis é sócio, e a MC Link Engenharia, da qual Manoel era sócio.

Processo contra Cabral

Mais cedo, Bretas ouviu o depoimento de testemunhas de acusaçãoem que o ex-governador do Rio Sérgio Cabral e outras cinco pessoas são acusadas de lavar R$ 1,7 milhão de propina através de contratos fictícios com a empresa Survey Mar e Serviços. Nesse processo, o ex-governador é denunciado por 36 atos de lavagem de dinheiro.
Foram ouvidos: Paulo Rezende da Silva (ex-sócio da empresa Survey), Nádia Lubi Martins de Oliveira (secretária de Flavio Werneck, dono da FW Engenharia) e Sonia Ferreira Baptista (secretária particular de Cabral).

Gravação mostra bandidos de SP negociando envio de armas a facção em guerra na Rocinha


Uma gravação telefônica divulgada pela Polícia Civil de São Paulo nesta quinta-feira (19) mostra bandidos paulistas negociando o envio de armas e munição para reforçar uma facção criminosa carioca na guerra pelo controle do tráfico de drogas na favela da Rocinha, na Zona Sul do Rio.
A gravação foi feita no mês passado e traz Fabiano Freitas, que é apontado como chefe de uma quadrilha paulista, em uma conversa com um interlocutor ainda desconhecido pela polícia.
Fabiano: - Qual que é a parada, irmão?
Interlocutor: - É as parada que tá acontecendo lá no Rio com os ADA lá, entendeu, irmão? Tem que ir lá que nossos parceiros tão precisando de armamento, tá ligado irmão? Precisamos de bala mesmo. Umas caixas, tá ligado, irmão?
Fabiano: - Então, mas não tem um responsável por essa situação no Rio lá, irmão? Os irmãos que fecha?
Interlocutor: - Então, passo, mas nós tá precisando do que, ligar na sintonia aqui da Baixada, ligar no paiol, entendeu?
Fabiano: - Hã, entendi, pra fortalecer, né?
Traficantes de drogas presos em SP mandavam armas para o RJ
O chefe da Seccional de São Bernardo do Campo, responsável por conduzir as investigações do caso, afirmou que tem “convicção de que houve um pedido dessa facção do Rio de Janeiro para que houvesse uma ajuda de São Paulo”. “Ajuda na guerrilha que está acontecendo nos morros do Rio de Janeiro pelo tráfico de drogas”, explicou Aldo Galiano Júnior.
O delegado disse não saber se a negociação teve êxito e as armas e munições de fato chegaram às mãos dos criminosos cariocas. "Ainda é prematuro a gente divulgar em que grau estava esse relacionamento. Se em um grau profundo ou curto. Com as apreensões e prisões, até o final de tarde vamos saber em qual grau de envolvimento [estavam]".
Armas e demais objetos apreendidos pela polícia durante Operação Salazar (Foto: Glauco Araújo/G1)Armas e demais objetos apreendidos pela polícia durante Operação Salazar (Foto: Glauco Araújo/G1)
Armas e demais objetos apreendidos pela polícia durante Operação Salazar (Foto: Glauco Araújo/G1)
Mais de 300 policiais cumprem 94 mandados de busca e apreensão e 28 de prisão temporária em diversas cidades de São Paulo nesta quinta. A operação, batizada de Salazar, em referência ao apelido pelo qual Fabiano é conhecido entre os criminosos, é resultado de quase dez meses de investigação da Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) de São Bernardo.
A operação foi deflagrada ainda na madrugada e, segundo um balanço parcial divulgado pela polícia às 9h, já havia resultado na prisão de dez pessoas. Entre os detidos está o traficante Leandro Robson dos Santos, apontado como um dos principais alvos da investigação. Ele foi encontrado em Praia Grande, no litoral do estado.
Diálogo entre criminosos do Rio e São Paulo (Foto: TV Globo/Reprodução)Diálogo entre criminosos do Rio e São Paulo (Foto: TV Globo/Reprodução)
Diálogo entre criminosos do Rio e São Paulo (Foto: TV Globo/Reprodução)
Além da cidade litorânea e de São Bernardo do Campo, núcleo da operação, a polícia cumpre mandados em Pedreira, Socorro, Bragança Paulista, São Paulo, Cubatão, Santos, Mongaguá, Cananéia, Iguape e Ilha Comprida. Binóculos, rádio-comunicadores, facas, diferentes tipos de armas, munições, e até uma besta foram apreendidas.
"A gente tem por intenção a apreensão de drogas e material relacionado à facção criminosa. No caso, anotações, pen-drives com contabilidade, armamento e munições que são usados tanto aqui no estado de São Paulo, como negociados com o Rio de Janeiro", completou o delegado-assistente do Dise, André Legnaioli.
Uma gravação telefônica divulgada pela Polícia Civil de São Paulo nesta quinta-feira (19) mostra bandidos paulistas negociando o envio de armas e munição para reforçar uma facção criminosa carioca na guerra pelo controle do tráfico de drogas na favela da Rocinha, na Zona Sul do Rio.
A gravação foi feita no mês passado e traz Fabiano Freitas, que é apontado como chefe de uma quadrilha paulista, em uma conversa com um interlocutor ainda desconhecido pela polícia.
Fabiano: - Qual que é a parada, irmão?
Interlocutor: - É as parada que tá acontecendo lá no Rio com os ADA lá, entendeu, irmão? Tem que ir lá que nossos parceiros tão precisando de armamento, tá ligado irmão? Precisamos de bala mesmo. Umas caixas, tá ligado, irmão?
Fabiano: - Então, mas não tem um responsável por essa situação no Rio lá, irmão? Os irmãos que fecha?
Interlocutor: - Então, passo, mas nós tá precisando do que, ligar na sintonia aqui da Baixada, ligar no paiol, entendeu?
Fabiano: - Hã, entendi, pra fortalecer, né?
Traficantes de drogas presos em SP mandavam armas para o RJ
O chefe da Seccional de São Bernardo do Campo, responsável por conduzir as investigações do caso, afirmou que tem “convicção de que houve um pedido dessa facção do Rio de Janeiro para que houvesse uma ajuda de São Paulo”. “Ajuda na guerrilha que está acontecendo nos morros do Rio de Janeiro pelo tráfico de drogas”, explicou Aldo Galiano Júnior.
O delegado disse não saber se a negociação teve êxito e as armas e munições de fato chegaram às mãos dos criminosos cariocas. "Ainda é prematuro a gente divulgar em que grau estava esse relacionamento. Se em um grau profundo ou curto. Com as apreensões e prisões, até o final de tarde vamos saber em qual grau de envolvimento [estavam]".
Armas e demais objetos apreendidos pela polícia durante Operação Salazar (Foto: Glauco Araújo/G1)Armas e demais objetos apreendidos pela polícia durante Operação Salazar (Foto: Glauco Araújo/G1)Armas e demais objetos apreendidos pela polícia durante Operação Salazar (Foto: Glauco Araújo/G1)
Mais de 300 policiais cumprem 94 mandados de busca e apreensão e 28 de prisão temporária em diversas cidades de São Paulo nesta quinta. A operação, batizada de Salazar, em referência ao apelido pelo qual Fabiano é conhecido entre os criminosos, é resultado de quase dez meses de investigação da Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) de São Bernardo.
A operação foi deflagrada ainda na madrugada e, segundo um balanço parcial divulgado pela polícia às 9h, já havia resultado na prisão de dez pessoas. Entre os detidos está o traficante Leandro Robson dos Santos, apontado como um dos principais alvos da investigação. Ele foi encontrado em Praia Grande, no litoral do estado.
Diálogo entre criminosos do Rio e São Paulo (Foto: TV Globo/Reprodução)Diálogo entre criminosos do Rio e São Paulo (Foto: TV Globo/Reprodução)Diálogo entre criminosos do Rio e São Paulo (Foto: TV Globo/Reprodução)
Além da cidade litorânea e de São Bernardo do Campo, núcleo da operação, a polícia cumpre mandados em Pedreira, Socorro, Bragança Paulista, São Paulo, Cubatão, Santos, Mongaguá, Cananéia, Iguape e Ilha Comprida. Binóculos, rádio-comunicadores, facas, diferentes tipos de armas, munições, e até uma besta foram apreendidas.
"A gente tem por intenção a apreensão de drogas e material relacionado à facção criminosa. No caso, anotações, pen-drives com contabilidade, armamento e munições que são usados tanto aqui no estado de São Paulo, como negociados com o Rio de Janeiro", completou o delegado-assistente do Dise, André Legnaioli.