quarta-feira, janeiro 18, 2017

Dilma vai à Espanha falar sobre “ataque à democracia no Brasil”

A ex-presidente Dilma Rousseff viajará a Sevilha (Espanha), Lecce (Itália) e Paris (França) entre os dias 21 de janeiro e 5 de fevereiro. No Diário Oficial  desta quarta-feira foi autorizado o afastamento de assessores e seguranças para acompanhar a ex-presidente na Europa.
Em Sevilha, está prevista a presença de Dilma no seminário “Capitalismo Neoliberal, Democracia Sobrante”, organizado por universidades da Espanha e Portugal. De acordo com a programação do evento, a ex-presidente fará a palestra inaugural com o tema “O ataque à democracia no Brasil e na América Latina”.
(Com Estadão Conteúdo)

Nova delação da Camargo Corrêa deve levar Lava Jato a SP

O recall da delação de executivos da empreiteira Camargo Corrêa deve levar a Lava Jato a fazer uma devassa em contratos de obras municipais e estaduais em São Paulo. A necessidade de a construtora refazer seu acordo é um efeito colateral da delação de 77 executivos e ex-executivos da Odebrecht, que mencionaram casos de corrupção em contratos de outras empresas e não foram citados anteriormente.
No caso da Camargo, fontes ligadas à negociação do recall consideram que a Lava Jato pretende resgatar suspeitas de corrupção apuradas pela Operação Castelo de Areia, de 2009, que havia identificado indícios de irregularidades em pelos menos 12 obras paulistas. A operação foi invalidada pela Justiça.
Relatórios da Castelo de Areia já apontavam indícios de pagamentos indevidos no Rodoanel, no túnel da Avenida Jornalista Roberto Marinho e na expansão do metrô. Havia suspeitas também em contratos com a Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento (Sanasa), de Campinas, e com a prefeitura de Jundiaí. Foram levantados indícios ainda em obras dos metrôs de Fortaleza, Salvador e Rio.
Visto com receio por advogados, o recall é de interesse tanto de investigadores como de empreiteiras. Para os procuradores, as informações vão complementar a delação da Odebrecht de modo a alcançar todas as esferas de governo e políticos ligados aos principais partidos. As empresas apostam no aditamento para evitar que os acordos já assinados sejam invalidados pela Justiça, uma vez que não contemplaram a totalidade dos atos ilícitos praticados.
Para obter novas revelações, o acordo deve incluir mais delatores, o que tem levado as empresas a temer a elevação das multas já negociadas e das penas.
A dúvida entre investigadores e advogados é saber como a Justiça vai tratar as informações complementares. A reportagem apurou três possibilidades: os novos fatos podem ser incluídos em aditamentos dos acordos atrelados a condições mais “gravosas” de pena para delatores; executivo e empresa podem ser processados por fatos não apontados anteriormente; e há o risco até de rescisão dos acordos, caso fique provado que as informações foram ocultadas intencionalmente.

Abrangência

A expectativa de procuradores e policiais federais é de que o recall abranja obras delatadas pela Odebrecht e também obrigue a Camargo a revelar mais irregularidades não esclarecidas pela Castelo de Areia. Além da Camargo, Andrade Gutierrez e UTC também devem apresentar novos casos nos quais pagaram propina em troca de contratos.
A volta da apuração dos casos revelados pela Castelo de Areia deve piorar ainda mais a situação de partidos já denunciados, como PT e PMDB. Na investigação de 2009, os dois partidos, ao lado do PSDB, eram os que mais apareciam nas planilhas apreendidas pela Polícia Federal.

terça-feira, janeiro 17, 2017

Sergio Moro é defendido pela esposa em processo movido por Lula

O juiz federal Sergio Moro, responsável pelos processos da Operação Lava Jato em Curitiba, escolheu sua mulher, a advogada Rosângela Wolff Moro, para defendê-lo no processo movido contra ele pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A queixa-crime de Lula contra Moro alega abuso de autoridade do magistrado e tramita na 4ª seção do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), sob a relatoria do desembargador Sebastião Ogê Muniz.
Rosângela, que é procuradora jurídica das Apaes (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) do Paraná, ganhou notoriedade nas redes sociais por ter criado a página “Eu MORO com ele #rosangelawolffmoro”, que tem 576.355 curtidas no Facebook. No perfil, Rosângela e uma colaboradora recebem e publicam manifestações de apoio ao juiz.
Como defensora do marido, a advogada tentará evitar que ele se torne réu na ação em que é acusado pelo petista de cometer abusos por ter autorizado a condução coercitiva do ex-presidente para depor no Aeroporto de Congonhas, “privando-o de seu direito de liberdade por aproximadamente 6 horas”, pelos mandados de busca e apreensão expedidos contra ele e pela interceptação “indevida” de ligações telefônicas.
Entre as punições previstas para esse tipo de delito, estão a detenção de dez dias a seis meses, a suspensão e a exoneração do cargo, conforme frisado pela nota assinada pelos advogados Cristiano Zanin Martins e Roberto Teixeira.
“Após expor todos os fatos que configuram abuso de autoridade, a petição pede que o agente público Sergio Fernando Moro seja condenado nas penas previstas no artigo 6º. da Lei 4.898/65, que pune o abuso de autoridade com detenção de dez dias a seis meses, além de outras sanções civis e administrativas, inclusive a suspensão do cargo e até mesmo a demissão”, diz o texto.
O petista foi alvo da 24ª fase da Lava Jato, a Aletheia, deflagrada em março de 2016. Desde então, a defesa do ex-presidente tem travado uma cruzada para afastar Moro do caso. Já pediu a suspeição dele e do desembargador João Pedro Gebran Neto, responsável pelos processos da Lava Jato em segunda instância no TRF4; e protocolou na Organização das Nações Unidas (ONU) um documento que acusa Moro de arbitrariedades e violação dos direitos humanos.
Lula é réu em três processos relacionados à Lava Jato, dois dos quais correm sob as mãos de Moro. O ex-presidente também será julgado em outras duas ações penais derivadas das operações Janus e Zelotes, ambas na Justiça Federal do Distrito Federal.

Facções criminosas ameaçam ‘batalha campal’ em presídio do RN

Detentos das facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Sindicato do Crime do RN ameaçam entrar em confronto campal na Penitenciária Estadual de Alcaçuz, na Região Metropolitana de Natal, que é palco de uma rebelião há três dias e foi palco de um massacre de 26 presos no último sábado.
Um vídeo gravado (veja) na manhã desta terça-feira e publicado pelo jornal O Estado de S. Paulo mostra um policial falando sobre a possibilidade de enfrentamento entre os presos de facções rivais. As imagens mostram barricadas entre o pavilhão 4, dominado pelo Sindicato do Crime do RN, e o antigo pavilhão 5, hoje presídio Rogério Coutinho Madruga, comandado pelo PCC.
O policial, que está posicionado na guarita do presídio, descreve as cenas de tensão. “O negócio aqui está feio demais. De vez em quando a gente atira para não ter um confronto. Porque se tiver vai morrer gente demais. De um lado, tem 400 do Sindicato. Do outro, tem 600 do PCC”, diz o policial. Ele também afirma que há apenas dois agentes no muro e viaturas fazendo ronda do lado de fora para evitar as fugas. “Vai ter que ter o confronto aqui porque não tem condição de a gente segurar”, completa.
Os presos da penitenciária se locomovem livremente pela penitenciária. Muitos deles se encontram em cima do telhado e hasteiam bandeiras e fazem pichações com os símbolos das facções a que pertencem. As grades das celas foram destruídas em um rebelião ocorrida em março de 2015 e, desde então, eles ficam soltos dentro do presídio.
No último sábado, 26 detentos foram mortos por integrantes do PCC. O governador do Rio Grande do Norte, Robinson Faria (PSD), classificou a ação como uma retaliação ao massacre ocorrido no Complexo Prisional Anísio Jobim (Compaj), em Manaus, no primeiro dia do ano, quando 56 presos, entre membros do PCC e estupradores, foram brutalmente assassinados pela Família do Norte (FDN). A FDN e o Sindicato do Crime são aliadas do Comando Vermelho, que desde meados do ano passado está em guerra com o PCC na disputa pelo monopólio do tráfico de drogas e dos presídios.
O governador também disse que a polícia ainda não invadiu a penitenciária para evitar um novo Carandiru, referindo-se ao maior massacre da história do sistema penitenciário brasileiro, quando 111 presos foram mortos pela Polícia Militar de São Paulo em 1992. “O que podemos fazer? Entrar lá e matar os presos?”, questionou Faria.

segunda-feira, janeiro 16, 2017

Propina para calote na Caixa chegava a 30%, diz empresário

O empresário Evaldo Ulinski, ex-dono do Big Frango, uma das empresas investigadas na Operação Cui Bono?, disse que Lúcio Bolonha Funaro e operadores dele lhe ofereceram um empréstimo de R$ 100 milhões na Caixa Econômica Federal, com condições especiais. Cobrariam 10% sobre do valor do financiamento, a título de comissão, para facilitar a liberação dos recursos. Mas havia outra opção. Se o empresário aceitasse dar uma comissão maior, de 30%, não pagaria o empréstimo. “Era 10% para você pagar e 30% para nunca mais precisar pagar. As palavras deles”, disse Ulinski ao jornal.
A história contada por Ulinski traz detalhes de como seriam os bastidores de um esquema que previa a liberação de financiamentos irregulares na Caixa em troca de propinas, o alvo central da Operação Cui Bono?, deflagrada na sexta-feira, 13.
Segundo o Ministério Público e a Polícia Federal, o ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha, Geddel Vieira Lima – ex-ministro do atual governo de Michel Temer -, além de Funaro, operaram um esquema de fraudes na liberação de créditos da Caixa, que teria ocorrido pelo menos entre os anos de 2011 e 2013. Neste período Geddel era vice-presidente de Pessoa Jurídica do banco estatal, área que libera financiamentos para empresas.
Ulinski afirmou que recebeu uma proposta para ter crédito na Caixa e foi ao escritório de Funaro. Disse que chegou a assinar um documento manifestando interesse em contratar Funaro para intermediar o crédito e teria feito cadastro na Caixa. As condições apresentadas, disse, eram tentadoras: “Preço bom, prazo bom, dez anos, 12 anos”, lembrou. “Conseguiria o empréstimo com custos baixíssimos. Eu não me recordo a que juros.”
As tratativas, porém, não teriam avançado. “Naquele momento, eu até aceitaria, porém, tendo mais informações, desisti. Com mais conversa, eu vi que eu ia ter problemas no futuro.”
O risco, na versão de Ulinski, estava em dois detalhes: “A Caixa queria garantia. Eu tinha garantia para dar. Agora, desculpe, mas 10% de comissão é extorsão. Não é verdade? E pior que isso. A proposta do Lúcio Funaro era o seguinte: te arrumo 100 milhões de reais com 10% para pagar e 30% para nunca mais precisar pagar. Como pode? Dar uma garantia e não pagar? Caí fora”.
Ulinski afirmou não saber como se davam as tratativas internamente na Caixa: “Eu não estou acusando a Caixa Econômica. Eu nunca falei com ninguém da Caixa.”
De acordo com o relatório do Ministério Público Federal que embasou a operação Cui Bono?, é preciso ainda apurar melhor os fatos em relação à liberação de créditos à empresa Big Frango. O documento afirma que “Geddel teria se referido à localidade da agência bancária da Big Frango sem fornecer muitos detalhes na mensagem”.
Nas entrevistas, Ulinski disse que conheceu Funaro por intermédio de terceiros. Alexandre Genta, na época seu genro e também advogado da Big Frango, havia feito faculdade em Londrina com Alexandre Margotto, que trabalhava com Funaro. Para Ulinski, Margotto afirmava que o chefe tinha acesso à Caixa. “O funcionário dele disse que ele (Funaro) consegue muita coisa na Caixa, é muito bem relacionado lá, ele manda lá dentro. Se é mesmo, não sei.”
Segundo Ulinski, os operadores de Funaro falavam que ele fazia esse tipo de empréstimo para outras empresas. “Dizem que ele tinha muito acesso (na Caixa) e conseguia muita coisa politicamente.”
Mensagens entre Geddel Cunha e Funaro sustentam essa versão de que havia um esquema de fraudes nos empréstimos da Caixa para empresas. Boa parte das citadas na Operação Cui Bono? tinham negócios direto com Funaro.
É caso da própria Big Frango. Em nome de Ulinski, Funaro apresentou a empresa para potenciais compradores e ela foi adquirida pela JBS, maior empresa do mundo no setor de carnes, que é controlada pela J&F. Funaro conhece os donos da JBS, a família Batista. Chegou a negociar um imóvel de luxo com Joesley Batista. Mensagens trocadas entre Geddel, Cunha e Funaro mostram que eles favoreceram a liberação de recursos da Caixa para a J&F.
O mesmo teria ocorrido em relação ao grupo Bertin, que atua em vários setores. Cunha pede a Geddel: “Precisa ver no assunto da Bertin a carta de conforto1 com os termos que necessita”. Funaro é amigo e foi consultor dos Bertin.
Outra empresa citada pelo Ministério Público foi a Marfrig, também do setor de carnes. Em conversa por SMS sobre a Marfrig, Geddel disse a Cunha: “voto sai hoje”. No outro dia, o ex-ministro envia informações sobre a aprovações do crédito. Os investigadores apuraram que, após essa conversa, Marfrig depositou R$ 469,5 mil para uma empresa de Funaro, a Vizcaya.

Contexto

Ulinski concedeu duas entrevistas ao Estado sobre a oferta de empréstimo na Caixa. Na primeira, em 2014, havia se indisposto com Funaro sobre a comissão da venda do Big Frango. Na segunda, em setembro de 2016, Funaro já havia sido preso. Ulinski confirmou todos detalhes do esquema, mas fez acusações mais fortes ao ex-genro, Genta.
A reportagem tentou contato com Genta, que não respondeu às ligações. Também tentou falar com Margotto, por intermédio de amigos e familiares, sem obter resposta. O advogado de Funaro, Fernando Guimarães, disse que não tinha como responder às questões, pois só vai falar com seu cliente nesta semana. A defesa de Geddel afirmou na sexta-feira que as investigações fazem “ilações e meras suposições não comprovadas”. A defesa de Cunha rechaçou as suspeitas.
A J&F declarou que “nunca procurou os políticos para pedir facilidade ou intermediação em quaisquer de suas operações financeiras”. A JBS, por sua vez, declarou que “todas as suas atividades são realizadas dentro da legalidade.” A Marfrig, em nota, afirmou que suas operações com a Caixa não tiveram “qualquer tipo de privilégio”. Bertin não respondeu até a conclusão desta edição. A Caixa informou que colabora com as investigações.
(Com Estadão Conteúdo)

Após massacre em Alcaçuz, presídio do RN tem nova rebelião

Rebelião no Presídio Provisório Professor Raimundo Nonato, em Natal (RN)
Um dia após a morte de 26 presos na penitenciária de Alcaçuz, na região metropolitana de Natal, no Rio Grande do Norte, detentos do Presídio Provisório Professor Raimundo Nonato, na capital potiguar, se rebelaram na madrugada desta segunda-feira.
O motim começou por voltas das 3 horas da manhã — 4h horário de Brasília — e, segundo o governo do Estado, a situação já está controlada e não houve fugas nem há informações de feridos. A Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejuc) afirmou que os presos tentaram derrubar uma parede de concreto do presídio para entrar em uma área de isolamento onde ficam detentos ameaçados de morte, mas não conseguiram.
Segundo a assessoria da Sejuc, todas as unidades prisionais estão em alerta ao longo desta segunda. “A situação continua tensa. Todas as unidades estão em alerta para que possamos evitar novos princípios de confusão. Até mesmo os agentes que estavam de folga foram convocados e estão empenhados nesse trabalho.”
O presídio Raimundo Nonato tem capacidade para 116 detentos e, atualmente, abriga 600. O Grupo de Operações Especiais (GOE), da Policia Militar, entrou no prédio para conter os presos. A rebelião atrasou a revista que seria realizada na manhã desta segunda na Penitenciária de Alcaçuz.

Alcaçuz

A rebelião – resultante de uma briga entre integrantes de facções criminosas rivais que cumprem pena na unidade – aconteceu no pavilhão 4 da penitenciária de Alcaçuz, quando detentos do pavilhão 5, que são mantidos separados, escaparam e deram início ao confronto que matou 26 detentos.
Alguns detentos foram esquartejados e outros carbonizados, o que dificulta o trabalho dos peritos. Os corpos foram recolhidos em um caminhão frigorífico alugado e levados ao Instituto Técnico-Científico de Polícia (Itep) do Rio do Grande do Norte para que seja feita a identificação, que deve começar na segunda-feira com o apoio de legistas do Ceará e da Paraíba, que vão ajudar no trabalho.

domingo, janeiro 15, 2017

Obra de 7.000 empregos que já consumiu R$ 3,2 bi completa dois anos parada

O que era para ser um marco na busca do Brasil pela autossuficiência em fertilizantes é, há dois anos, um canteiro de obra parada, em meio a ruas de terra, que já consumiu R$ 3,2 bilhões. Se retomada, a obra poderia reabrir cerca de 7.000 postos de trabalhos, apenas em Três Lagoas (MS).
A Unidade de Fertilizantes Nitrogenados 3 (UFN3) da Petrobras é um projeto com custo total estimado em R$ 4,2 bilhões. Deveria estar produzindo 1,2 milhão de toneladas de ureia desde o final de 2014, dobrando a produção brasileira e reduzindo de 70% para menos de 50% a dependência de importações do fertilizante.
A obra foi interrompida, já com a execução em atraso, no final de dezembro daquele ano, quando já estava cerca de 80% concluída, segundo a Petrobras.
"O custo [dessa paralisação na obra] é de pelo menos 7.000 empregos diretos e indiretos", diz o ex-diretor de Indústria da Secretaria do Desenvolvimento de Três Lagoas Cristovão Henrique. O número é equivalente a toda a perda de postos de trabalho em uma cidade como Maceió de janeiro e novembro de 2016.
De lá para cá, o que já foi construído perde valor, sem uso.
É um cenário muito triste, em que está tudo abandonado. E um patrimônio muito alto, sendo depredado, perdido.
Ana Cristina Carneiro Dias, promotora dos Direitos do Cidadão de Três Lagoas (MS)
A reportagem do UOL pediu à Petrobras para visitar as instalações e acompanhar os trabalhos de conservação dos investimentos já realizados, mas não obteve reposta. Em nota, a empresa disse que "reitera que adota ações de preservações e conservação das instalações".

Venda suspensa

A esperança na cidade é que a UFN3 fosse vendida e a obra, retomada. A Petrobras já anunciou que vai deixar o setor de fertilizantes para concentrar seus investimentos em energia, e que venderia empresas como a UFN3.
Porém, uma decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) do começo do mês passado suspendeu as vendas de bens e negócios da Petrobras. O TCU abriu exceção para cinco projetos, mas eles não incluem a UFN3.
"É uma pena [essa decisão]", diz o ex-secretário de Desenvolvimento de Três Lagoas, André Milton, que estava acompanhando as negociações entre a Petrobras para a venda da indústria. "A expectativa era de que até o meio de ano um grupo assumiria a empresa e retomaria as obras", diz. "Agora, vamos ver como vai ficar."

Consórcio deixou dívida de R$ 36 milhões

A decisão do TCU também surpreendeu empresários de Três Lagoas que cobram da Petrobras na Justiça dívidas de R$ 36 milhões que teriam sido deixadas pelo consórcio que executava a obra.
Formado pela Galvão Engenharia e pela empresa chinesa Sinopec, o consórcio, criado especificamente para o projeto, já foi dissolvido. Em uma decisão preliminar, a Justiça mandou congelar R$ 36 milhões das contas da estatal até a decisão do caso.
Segundo o presidente da Associação Comercial e Industrial de Três Lagoas, Atilio D'Agosto, apenas as 156 empresas que cobram dívidas do consórcio empregavam 1.100 trabalhadores. "Hoje, 70% delas não conseguiram se recolocar no mercado, encerraram suas atividades."
A ação foi encampada pela promotora Ana Cristina Carneiro Dias, que viu "caos social e econômico" na situação. "O Ministério Público detectou que aquela situação tinha atingido patamares de prejuízo econômico na cidade que estavam afetando o cidadão comum", diz ela.

Alojamento demitiu 42 e deve R$ 800 mil

Um dos empresários nessa situação é Humberto Garcia de Oliveira, dono dos Alojamentos Alvorada, que recebia 480 trabalhadores da obra da UNF3.
A paralisação acabou com 42 empregos diretos no alojamento, sem contar os empregos indiretos dos nossos fornecedores, como serviço de alimentação e lavanderia.
Humberto Garcia de Oliveira, dono dos Alojamentos Alvorada
Com a suspensão da construção, todos os empregados foram demitidos. "Consegui fazer a rescisão de 30, e 11 entraram com ações trabalhistas na Justiça", diz. O valor das causas ultrapassa os R$ 800 mil, e Oliveira diz contar com eventual pagamento das dívidas do consórcio para pagar a conta.
Questionada sobre a negociação para venda da unidade e sobre como ela seria afetada pela recente decisão do TCU, a Petrobras limitou-se a responder que "pretende sair do segmento de fertilizantes" e que "o processo de alienação da UFN3 que viabilize a conclusão do empreendimento está sendo avaliado pela empresa".

“Eles mataram e arrancaram as cabeças”, diz agente no RN

rebelião na Penitenciária Estadual de Alcaçuzem Nísia Floresta, cidade vizinha a Natal (RN), chegou ao fim após mais de 14 horas. O motim começou por volta das 16h30 (no horário local, 17h30 no horário de Brasília) e, até a manhã de hoje, não havia sido controlado pelas autoridades estaduais.
Os detentos se renderam por volta das 7h deste domingo após a Tropa de Choque Militar entrar nos pavilhões e não houve troca de tiros, segundo a Secretaria de Segurança. O governo estadual confirmou dez mortes.
A maior penitenciária do Rio Grande do Norte, Alcaçuz tem cerca de 1.150 presos em um espaço com capacidade total para 620. Os presos teriam invadido o pavilhão 1 e o 5. O pavilhão 5 é uma unidade separada e que faz parte do Complexo de Alcaçuz. Atuam no Rio Grande do Norte, além do Primeiro Comando da Capital (PCC), o Sindicato do Crime do RN, rival do grupo paulista e mais próximo da Família do Norte e Comando Vermelho. A ação teria sido causada por uma briga entre o PCC e o Sindicato do Crime.
Em Alcaçuz, segundo fonte ouvida pelo jornal O Estado de S.Paulo, os pavilhões 1,2,3 e 4 são dominados pelo Sindicato do Crime RN e o 5 encontra-se com presos com algum tipo de ligação o PCC.
No fim da noite de sábado, um agente penitenciário que conseguiu escapar da rebelião de Alcaçuz, descreveu em detalhes como os detentos do Pavilhão 5 conseguiram invadir a unidade vizinha e iniciar o massacre.
“Quem estava no pavilhão 4 eles mataram e arrancaram as cabeças. Os que conseguiram sair de alguma forma, escaparam. Quem ficou, morreu”, diz o agente numa gravação de pouco mais de três minutos. Até o fim da noite de ontem o governo admitia que o número de mortos era de pelo menos dez. Um vídeo obtido pelo site de Veja, no entanto, mostra uma carnificina com 17 vítimas.
“O número será bem maior. Mas só vamos saber oficialmente quando o Estado decidir retomar a cadeia”, diz uma fonte do Ministério Público, que acredita que ao menos 100 detentos ocupavam as celas do Pavilhão 4. Somente neste domingo, depois que a cadeia estiver retomada, será possível dimensionar o tamanho da barbárie. No depoimento gravado, o agente conta que por volta das 16h, logo após o encerramento do horário de visitas, presos do Pavilhão 5 começaram um motim.
Havia poucos agentes na unidade e quase todos fugiram: “Os colegas correram e deixaram um sozinho. Ele ainda subiu para armaria e pegou as armas para evitar que eles pegassem armas. Ele saiu com uma mochila com calibre 12, bombas, pistolas. Conseguimos resgatar ele antes que eles conseguissem chegar ao acesso principal do Pavilhão 5”, conta o agente. Depois disso, oito agentes penitenciários ficaram num hall de Alcaçuz e evitaram uma fuga em massa atirando contra os presos: “Eles tinham alguns revólveres 38, uma pistola, mas a gente abriu fogo e eles recuaram”, completou, revelando que os detentos do Pavilhão 1 se juntaram à rebelião, invadindo as cozinhas, subindo nos telhados e danificando as torres de controle.

sexta-feira, janeiro 13, 2017

Papéis revelam segredos entre Eduardo Cunha e Geddel

Geddel Vieira Lima e Eduardo Cunha
A Polícia Federal deflagrou na manhã desta sexta-feira a operação “Cui Bono”, expressão em latim que significa “a quem interessa?”, tendo como principal alvo o ex-ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima. A investida dos investigadores é resultado da análise de mensagens de celular, documentos e e-mails apreendidos em endereços ligados ao ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, em dezembro de 2015. Esse vasto material, obtido por VEJA, dá a dimensão de como funcionava a quadrilha que arrecadava propinas na Caixa Econômica Federal – e os seus principais integrantes.
Entre os documentos encontrados pela PF, estavam papéis com uma relação de empresas que pleiteavam empréstimos e financiamentos na Caixa, além de informações detalhadas sobre taxas de juros, prazos das transações e os valores de cada operação. Uma folha, destacada com o título “Pipe Line Geddel” (o equivalente a “Duto Geddel”), faz referências a companhias como Eldorado, Flora, Vigor, Bertin e J&F. Há ainda outro material, chamado de “Pendência Geddel”, que lista uma série de operações de crédito envolvendo a J&F, a Hypermarcas e a Gol.
Mensagens trocadas entre Eduardo Cunha e Geddel reforçam os indícios de que os dois peemedebistas se aliaram para manipular empréstimos e investimentos liberados pela Caixa. Em 30 julho de 2012, por exemplo, Cunha e Geddel trataram de uma liberação de um financiamento da Marfrig. “Voto sai hj”, informa Geddel para Cunha. Um mês depois, a Marfrig, quando estava com a corda no pescoço e prestes a se desfazer de alguns negócios para quitar a sua dívida, fechou um empréstimo de 350 milhões de reais com a Caixa. Em outro caso, envolvendo a empresa de eletrônicos Digibras, o ex-ministro escreve para o ex-presidente da Câmara: “Já estou entrando no circuito”.
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Documento encontrado pela PF: Geddel atuava em operações da Caixa

EIKE NA MIRA
Apesar de estar fora da operação deflagrada nesta sexta-feira, o empresário Eike Batista também está na mira dos investigadores. A Polícia Federal encontrou mensagens de Cunha que tratam de negócios do interesse do fundador do grupo EBX. Em abril de 2012, o ex-presidente da Câmara mandou mensagem para uma pessoa identificada como Gordon Gekko. O apelido, uma referência ao especulador do mercado financeiro interpretado pelo ator americano Michael Douglas no filme Wall Street – O Dinheiro Nunca Dorme, era usado por Fábio Cleto. “E Eike?”, indagou o ex-presidente da Câmara. “Eike tudo bem, abordado o tema do FI”, respondeu Cleto. “Conversei com ele e com vp de relacoe inst  (amaury) sobre isso, dizendo de onde vem a resitencia e de que maneira esta sendo encaminhado”, informou Cleto (as mensagens estão reproduzidas conforme foram escritas). Para os investigadores, “fica claro o interesse de Eduardo Cunha no andamento dos financiamentos das empresas ligadas a Eike Batista”.
Cunha não era o único interessado em ajudar o empresário Eike Batista, que chegou a ser um dos homens mais ricos do mundo antes de as suas empresas derreteram na Bolsa de Valores. Quatro meses depois da mensagem de Cunha, em junho de 2012, o ex-presidente da Câmara André Vargas escreveu para Cleto: “Eike estará com hereda hoje?”. Hereda é Jorge Hereda, ex-presidente da Caixa. O vice-presidente de Câmara responde para o parlamentar petista: “Hj tem assinatura de um contrato para osx…imagino que sim”. Vargas demonstra ter conhecimento de detalhes da transação: “Eles estao pedindo para mudar estrutura da operacao o que faz com que a coisa volte ao comite que estara conturbado”. Para a Polícia Federal, as mensagens “indicam a gestão de interesses de Eike Batista e suas empresas pelo então deputado federal André Vargas e Fábio Cleto junto ao comitê diretor do FI-FGTS”.
Mensagens trocadas entre André Vargas e Fábio Cleto: suspeita de negociatas em favor de Eike Batista
Mensagens trocadas entre André Vargas e Fábio Cleto: suspeita de negociatas em favor de Eike
Em 2012, a empresa de logística LLX, então controlada por Eike Batista, captou 750 milhões de reais no FI-FGTS para a construção do Porto de Açu, no Rio de Janeiro. Os recursos estavam travados na Caixa por conta das garantias apresentadas pela companhia, que eram consideradas insuficientes para o banco estatal autorizar a operação. De acordo com a delação de Cleto, Cunha atuou para contornar esse impasse – e, em troca, a empresa de Eike pagou 6 milhões de reais em propinas. Os envolvidos negam as suspeitas de irregularidades.

O recall da Camargo Corrêa: vem aí outra delação do fim do mundo

NA FILA -  O presidente, Michel Temer, o ex-ministro Antonio Palocci, o presidente do Senado, Renan Calheiros, o ministro da Educação, Mendonça Filho, e o senador Romero Jucá: problemas à vista na Lava-Jato com a delação da Camargo Corrêa
Reportagem de VEJA desta semana revela que a Camargo Corrêa, uma das maiores empreiteiras do país, negocia com a Procuradoria-Geral da República uma segunda leva de delações, nos moldes do acordo feito pela Odebrecht, que deve envolver a colaboração de cerca de quarenta executivos e até acionistas e alcançar em torno de 200 políticos, inclusive expoentes do governo de Michel Temer. A Camargo Corrêa promete até exumar o cadáver da Operação Castelo de Areia, que tinha a construtora no centro do escândalo – uma engrenagem que envolvia corrupção, evasão de divisas e lavagem de dinheiro – e que foi abortada pela Justiça. Quando isso ocorreu, porém, já se sabia que Temer aparecia 21 vezes nas planilhas, ao lado de outros figurões da República, como os ministros Gilberto Kassab (PSD) e Mendonça Filho (DEM) e os senadores Renan Calheiros (PMDB) e Romero Jucá (PMDB). A superdelação também trará novos problemas para Antonio Palocci, principal interlocutor da empreiteira nas gestões do PT. Se Brasília já não dormia pela expectativa da delação da Odebrecht, apelidada de “fim do mundo”, o clima vai ficar ainda mais tenso: o mundo pode acabar duas vezes.

Papa se revolta e xinga cambistas de missas no Vaticano

O papa Francisco chamou de “aproveitadoras e delinquentes” as pessoas que vendem ingressos para as missas no Vaticano, que são gratuitas. “Preciso dizer algo que não queria, mas tenho que dizer. Para entrar nas audiências gerais, existem entradas em um, dois, três, quatro, cinco, seis idiomas que explicam ‘que a entrada é totalmente gratuita”. Não tem que pagar para entrar na Sala Paulo VI nem na Praça São Pedro. É uma visita gratuita”, desabafou o líder católico.
A crítica foi feita diante de um público de 6.000 pessoas nesta quarta-feira, justamente durante a semanal audiência geral, que, no inverno europeu, ocorre dentro da Sala Paulo VI, no Vaticano. Quando as temperaturas estão mais amenas, a audiência acontece ao ar livre, na Praça São Pedro. “Eu soube que existem uns aproveitadores que fazem as pessoas pagarem as entradas. Fiquem atentos, aqui se visita sem pagar, porque esta é a casa de todos. Quem exige pagamento, comete um crime, esse homem ou essa mulher é delinquente, isso não se faz, entenderam?”, criticou Francisco.
Atualmente, sites em vários idiomas oferecem serviços de venda de ingressos para as audiências com o papa a preços que chegam a 45 dólares (quase 140 reais). A crítica à venda dos tickets integrou um discurso contra a ganância, o consumismo, a vaidade e a importância que se dá ao dinheiro nos dias de dia. Citando o filme “Milagre em Milão”, do cineasta italiano Vittorio de Sica, o papa falou sobre ídolos e falsas esperanças.
(Com ANSA)