O Globo
"Para vencer a batalha da opinião pública será preciso desmontar as armadilhas da chamada "espiral de cinismo": a corrupção política é aceita como inevitável, os cidadãos desertam da política, os políticos corruptos agem cada vez mais corruptamente, a opinião pública, instruída pela cantilena liberal, conforma-se ceticamente.
Seria um erro fatal para os petistas se adequar pragmaticamente a esta cultura cínica, aprendendo a ser "majoritário" em uma cultura política anticidadã. Para conseguir seus objetivos mais amplos, a campanha pela reforma política terá que ganhar um tom cívico, nacional e popular como foi a campanha das diretas já.
Antes e depois de lançada a atual campanha em defesa da reforma política deflagrada pelo Diretório Nacional, o PT tem dialogado intensamente com os membros do Congresso Nacional e com partidos políticos, especialmente os partidos de esquerda e de centro-esquerda, com lideranças democráticas de outros partidos, com os movimentos sociais e instituições da sociedade civil, em particular com aqueles setores envolvidos na luta pela reforma política, para que, ainda em 2011, possamos conquistar mudanças na democracia política.
As mediações necessárias após este diálogo realizado em todas as frentes culminaram na priorização no Congresso Nacional, neste momento, do financiamento público exclusivo das campanhas eleitorais, como ruptura com o atual sistema de financiamento privado; na adoção do voto em lista preordenada nas eleições parlamentares, mesmo que convivendo a metade dos eleitos com o sistema atual de lista aberta; na garantia da presença de sexos diferentes na lista (dois e um) como um passo importante no caminho da paridade; no fim das coligações proporcionais para fortalecimento dos partidos na sociedade; na ampliação da participação direta na política através da remoção de obstáculos que hoje a dificultam.
Por ser uma prioridade estratégica do PT, envidaremos todos os esforços para aprovar uma reforma política que, nesta conjuntura, dê novos passos na transformação democrática do sistema político brasileiro."
PT amplia política de alianças, com apoio de rivais em 2012
No encerramento do encontro nacional, o presidente da legenda, Rui Falcão, atuou para barrar proibição de apoio dos adversários PSDB, DEM e PPS
Vera Rosa e Wilson Tosta, O Estado de S.Paulo
Depois de dois dias de debates, o PT aprovou [ontem], 4, uma diretriz para as eleições municipais de 2012 que abre brechas para alianças com partidos de oposição. Embora a resolução do 4.º Congresso do PT diga que o PSDB, o DEM e o PPS são "adversários", com os quais os petistas não formarão chapa, o partido da presidente Dilma Rousseff barrou uma tentativa de última hora de proibir o apoio dos rivais.
Com o aval do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente do PT de Minas, deputado Reginaldo Lopes, subiu à tribuna para pregar que os partidos de oposição não fossem expulsos dos palanques. "O simbolismo de uma aliança está na chapa de prefeito e vice. Agora, nós vamos negar receber apoio? Se quiserem nos apoiar, vamos dizer não?", perguntou ele.
Em Minas, há uma articulação em curso para que o PT avalize a reeleição do prefeito Márcio Lacerda (PSB), com o apoio do PSDB. O atual vice-prefeito, Roberto de Carvalho (PT), brigou com Lacerda e prega candidatura própria. Lacerda e o senador Aécio Neves (PSDB), por sua vez, querem a reedição da parceria com o PT, vista com bons olhos por Lula. A polêmica rachou o PT em 2008.
"Nas eleições de 2008 nós fizemos, em Minas, 165 alianças com o DEM, 122 com o PPS e 222 com o PSDB. Então, não podemos ser hipócritas", disse Lopes. Na tentativa de conter uma rebelião petista que também queria impedir coligações com o PMDB, em 2012, o presidente nacional do PT, deputado Rui Falcão, afirmou que os petistas não podem querer impor hegemonia.
"Não podemos fazer alianças de esquerda e depois ir para a direção nacional e pedir exceções", insistiu Falcão, diante de um plenário lotado, convocado para reformar o estatuto do PT e aprovar uma resolução política sobre os desafios do partido.
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