Convidado de honra do 14o Congresso Nacional do PT, José Dirceu vai rever Dilma Rousseff nesta sexta (2).
Na noite passada, horas antes do reencontro, Dirceu foi à bancada do Jornal da Record. Falou por generosos 17min53s.
A certa altura, declarou-se “feliz”. Feliz “porque o Lula se elegeu duas vezes”. Feliz porque “a Dilma é a nossa presidenta e nós vamos reelegê-la em 2014.”
A exemplo de Dirceu, Lula e Dilma participarão da abertura do Congresso petista. Discursarão para uma platéia de 1.300 delegados do partido.
Instado a comentar a reportagem de capa da última ‘Veja’, Dirceu negou que conspire contra a gestão Dilma nos encontros que mantém numa suíte de hotel, em Brasília.
“Dizer que eu conspiro contra o governo da Dilma é que nem dizer que eu deixei de ser corintiano. […] Sou um dos primeiros defensores do governo Dilma.”
Dirceu não pôde negar o inegável. A revista exibiu imagens captadas pelo circuito interno de câmeras do hotel.
Nas cenas, os visitantes da suíte alugada por um escritório de advogacia e cedida a Dirceu –senadores, deputados, um ministro, o presidente da Petrobras...
No miollo da reportagem, acusou-se Dirceu de tramar a queda de Antonio Palocci da Casa Civil. Sobre isso, o entrevistado calou.
Limitou-se a discorrer genericamente sobre suas atividades: “Sou membro do diretório nacional do PT, não participo do governo, não sou membro da Executiva...”
“...Tenho a minha vida como advogado, como consultor. [...] Tenho atividade política, sempre tive. Sou blogueiro, sou militnate do PT…”
“…Viajo pelo Brasil, faço debate, faço confenrência, me reúno com governadores, prefeitos. Em Brasília também, com deputados, senadores…”
“…Governadores, prefeitos, converso com ministros. São todos meus amigos de 30, 40 anos. Continuo fazendo atividade política.”
Esforçou-se para revistir com ares de normalidade o vaivém da suíte brasiliense: “A minha opinião é ouvida. Sou consultado, sou ouvido.”
Então, influencia nas decisões de governo? Não, não. Absoluamente. Quem influi, disse Dirceu, é o PT, por meio de suas bancadas na Câmara e no Senado.
Dirceu repisou a acusação de que o repórter de Veja tentou “invadir” a suíte que lhe serve de residência em Brasília. Disse que as imagens foram “obtidas ilegalmente.”
Segundo ele, houve “invasão da intimidade e da privacidade dos senadores, dos deputados, de todos os que me visitaram.”
“Por que não posso encontrar com ministros?”, indagou. Na sequência, despejou sobre a bancada do telejornal uma frase intrigante:
“Governadores do PSDB me procuram, conversam comigo naquele hotel.” Não citou nomes. Tampouco foi instado pelos entrevistadores a fazê-lo.
Nada disse também sobre a suspeita, esgrimida pela revista, de que parte das conversas do hotel esbarraram em temas que interessam mais ao consultor do que ao militante petista.
Deputado cassado, o mensaleiro Dirceu aproveitou os holofotes providos pela Record para promover sua autodefesa.
Disse que espera ser julgado pelo Supremo no início de 2012. “Fui acusado gravemente de chefe de quadrilha e de corrupto...”
“...Como não há provas contra mim e eu sou inocente, [...] quero ser julgado.” Falou sobre seu futuro político:
“Se for absolvido, vou pedir anistia pra Câmara dos Deputados. […] O término da minha cassação é 2016, aí vou tomar decisão sobre o que vou fazer.”
Perguntou-se a Dirceu, veja você, se planeja concorrer à Presidência da República. E ele: “Quem sou eu!?!?”
Foi nesse ponto que Dirceu manifestou sua “felicidade” com o par de eleições de Lula e com a perspectiva de reeleição de Dilma.
Ex-entusiasta das CPIs, membro ativo da comissão parlamentar que desaguou no impeachment de Collor, Dirceu declara-se agora contra CPIs:
“Não tem sentido ter uma CPI da corrupção se a presidente tá tomando as medidas, se a Polícia Federal tá investigando e o Ministério público tá acompanhando.”
Atribuiu os malfeitos que vicejam na Esplanada ao sistema que obriga os políticos a bater à porta das empresas para buscar o dinheiro que custeia as campanhas.
Vaticinou: “Essa estrutura política que nós temos aí cairá nas ruas, com protestos populares. Ela está fadada ao fracasso.”
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