segunda-feira, dezembro 31, 2012

REVEILLON NA CABANA MENDES

O SEU REVEILLON DIFERENTE E ALEGRE VAI SER NA CABANA MENDES, RESERVE JÁ A SUA MESA NO RESTAURANTE O WANDERLEY. VENHA DANÇAR E CANTAR AS MÚSICAS QUE MARCARAM A SUA VIDA!!!!

Feliz Ano Novo!

frase de ano novo

CASA DO ESTUDANTE DO CEARÁ



Prezado jornalista,

    A Casa do Estudante do Ceará (CEC) é uma república estudantil, localizada em Fortaleza, que tem a função de abrigar gratuitamente estudantes carentes do Interior, dando-lhes subsídios para que possam se dedicar aos estudos e conquistar seus sonhos.

    Anualmente, realizamos um Processo Seletivo para a escolha de novos moradores, o qual se divide em quatro fases para analisar os conhecimentos, a vida estudantil, a situação sócio-econômica e a capacidade de convivência em grupo do candidato.
    Apesar de a CEC já ter mais de 70 anos de história, o nosso processo seletivo não é muito conhecido, tendo em vista a Instituição não possuir condições de arcar com uma divulgação que abranja todo o Ceará.

    Neste ano, decidimos enfrentar todas as dificuldades e fazer um dos maiores processos seletivos, e, para isso, estamos contando com a ajuda de rádios,  professores e jornalistas do Interior.

    Desse modo, pedimos-lhes que, caso seja possível, faça uma notícia em seu blog sobre o processo de seleção em curso, o qual está com as inscrições abertas até o dia 20 de janeiro, tendo em vista o grande alcance do seu canal de informação.

    Para auxiliá-lo na criação da notícia, enviamos, anexo a este e-mail, além do "press release", vídeos, cartaz, "spot" e notícias de outros blogs sobre o certame.
   
   
 Atenciosamente,

    Marcelo Cristian                     José Alves
    (85) 9668 2811                     (85) 8602 1269

quinta-feira, dezembro 27, 2012

Lojas de grifes abrem em Crateús


Vestidos, camisas, bolsas e calçados com estilo de marcas conhecidas já podem ser comprados na cidade

A Essencial concentrou a linha de produtos nas marcas mais famosas. Já a Stalker abre primeira loja fora de um shopping center. A meta é atingir o público mais exigente fotos: Silvania Claudino
Crateús Para o público masculino e feminino mais exigente, que prefere usar marcas famosas, mesmo que gaste um pouco mais, este município agora apresenta novas opções. Duas novas lojas foram abertas, recentemente, e possibilitam a escolha de um visual mais apurado, dentro das tendências e lançamentos de grandes e famosas grifes de moda. Nas duas lojas, a preocupação é oferecer ao cliente roupas de qualidade, mas com modelos exclusivos.

Na loja Stalker, o alvo é o público masculino. Já na Essencial, a novidade é a oferta dos produtos exclusivos da grife Carmen Steffens, para o público feminino e a versão masculina Rafael, da mesma grife.

Aberta no início de dezembro, a Stalker é a primeira loja localizada além das fronteiras dos shoppings centers da marca no País. Trata-se da primeira loja de rua, segundo a proprietária Karla Cartaxo, paraibana que reside na cidade há dez anos e já atua no mercado com outro tipo de empreendimento.

Negociações

De acordo com a empresária, há dois anos negociava a franquia para a cidade e a dificuldade era justamente o fato de não haver um shopping para sediar a loja. Acabou conseguindo superar a regra da marca e implantando a loja no Centro de Crateús, em local privilegiado, próximo às maiores agências bancárias, Banco do Brasil e Caixa Econômica. O local conta com grande movimentação de pessoas.

Karla conta que já era cliente da Stalker há alguns anos, onde comprava as roupas do seu esposo. Percebeu que Crateús precisava ter uma loja da marca. Daí a decisão pelo investimento.

"Gostava da marca e adquiria as peças para meu esposo. Percebi que aqui na cidade e região não havia lojas desse tipo. Então, decidimos investir neste mercado", informa ela.

A loja oferece roupas masculinas para o público infantil, jovem e adulto como carro-chefe, mas também calçados e acessórios. As roupas são básicas, esporte e também esporte fino.

Aberta em um período bastante favorável, no mês das maiores vendas do setor, o empreendimento é comemorado por sua proprietária. Karla já registra bons negócios e acredita que manterá um bom ritmo de vendas nos demais períodos do ano.

"Abrimos no mês de melhores vendas e ultrapassamos as metas. A nossa tendência é segurar as vendas", acredita. Os preços variam de R$ 39 e as roupas exclusivas são a partir de R$ 159. Nas compras acima de R$ 200, o cliente ganha um desconto ou uma sandália da marca.

A Stalker chegou ao mercado brasileiro em dezembro de 1998, em Fortaleza. A denominação deriva do inglês "to stalk", que significa caçar. Isto dá um caráter universal ao homem perseverante e atual, que "persegue" seus objetivos, caçador, homem moderno e livre.

Os produtos buscam coerência com a identidade da marca, moda sempre atual ousada e confortável e casual. Dispõe em suas lojas da grande maioria das peças que compõem o vestuário masculino. A Stalker mantém coleções especiais para o cliente de 6 a 16 anos, ampliando ao máximo o universo do público-alvo. No Ceará possui lojas em Fortaleza, Juazeiro, Sobral e Crateús.

Já há sete anos em Crateús, a loja Essencial passou por ampla reforma no mês de novembro e reabriu no fim do mês como franquia exclusiva da grife Carmen Steffens. Já trabalhava com grandes marcas. Mas, agora, parte da loja é dedicada aos produtos da grife, que oferece coleções para o público feminino. Com a versão Rafael Steffens, atende ao público masculino.

São roupas, calçados, bolsas, cintos, relógios e óculos à disposição de um público mais exigente e com maior poder aquisitivo.

Seletividade

"Diminuímos as marcas que trabalhávamos antes e ficamos com as mais famosas. Além da franquia da Carmen Steffens, temos, também, na outra parte da loja, as marcas Colcci, Individual, Lança Perfume, entre outras famosas", destaca a gerente Aline Medeiros.

Conforme a gerente, a mudança na loja está atraindo os antigos e novos clientes, que gostaram do novo modelo e da nova opção. Buscam os lançamentos e as novas tendências das grandes grifes.

Os preços vão de R$ 49,90 a R$ 399 nas roupas, e de R$ 299 a R$ 1.500 nas bolsas, que são os itens mais procurados pelas mulheres. Elas integram o maior público da loja. Já os óculos variam entre R$ 399 a R$ 499.

As vendas neste fim de ano, segundo Aline, estão dentro das expectativas da loja, que tem recebido clientes de Crateús, mas também de várias cidades da região. Por enquanto, não há promoções, mas a previsão é que no início de 2013 a loja já comece a praticar descontos.
Mais informações
Stalker - Rua D. Pedro II, 891

(88) 3691.2636

Essencial, Rua Cel. Zezé, 1063

(88) 3691.0458

Centro - Crateús
SILVANIA CLAUDINOREPÓRTER

quarta-feira, dezembro 26, 2012

Lançamento do Livro Marcha da Coluna Prestes no Ceará

















Aguardem!

Aguardem!

NOVO ORIENTE Trânsito recebe fiscalização


Cenas como essas são comuns nos municípios dos Sertões dos Inhamuns. Capacete não é usado pela maioria dos motociclistas nos municípios desta região e não é cobrado pelas autoridades de segurança FOTO: SILVANIA CLAUDINO
Novo Oriente Após a sucessiva ocorrência de acidentes na cidade e nas estradas que ligam este município à região, as autoridades de segurança decidiram exigir o cumprimento do Código de Trânsito em Novo Oriente. Em apenas dois dias, nesta semana, quatro pessoas foram vítimas de acidentes com motocicletas na cidade. Os infratores serão autuados e o veículo apreendido, conforme portaria expedida pela juíza Daniele Lima da Rocha, no último dia 20. De acordo com as autoridades locais, os maiores problemas são registrados com os condutores de motocicletas e as maiores infrações dizem respeito ao não uso do capacete, alta velocidade e uso de bebidas alcoólicas.
O delegado de Polícia Civil, Jefferson Custódio, que assumiu recentemente o comando do órgão no município, atribui os problemas no trânsito como os maiores em Novo Oriente, em termos de segurança pública.
Rigor
Afirma que a problemática será tratada com firmeza e rigor, além de aplicada a todos os condutores, independente da profissão e influência política.
"Faremos valer a Lei para todos aqui em Novo Oriente, onde os problemas no trânsito são sérios. Pelos relatos e ocorrências registradas, percebo que, inicialmente, é o maior problema na cidade", analisa o delegado.
O delegado ressalta que, para as ações de fiscalização, contará com o apoio da Polícia Militar e as duas instituições atuarão em conjunto, posto que a Delegacia de Polícia Civil local conta com apenas um escrivão em seu quadro. Informa que terá o apoio do novo gestor municipal.
"Isso não será problema, pois agiremos em conjunto com a Polícia Militar a fim de coibirmos ações de infrações no trânsito e na segurança como um todo", salienta ele.
AcidentesUm grave acidente deixou três mortos na manhã do dia 17 último, na CE-187 entre as localidades de Henrique I e Agrovila, na Zona Rural deste município. Uma colisão entre duas motocicletas deixou três mortos, sendo duas pessoas do sexo masculino, que morreram ao darem entrada no Hospital da cidade e uma mulher, que foi a óbito no local.
Um dos veículos envolvido no acidente foi uma moto Honda, guiada por Claudiano Soares da Silva, 36 anos, residente no Bairro Alto Alegre, na sede de Novo Oriente. Ele tinha chegado recentemente da cidade de São Paulo para passar o fim de ano ao lado da esposa e dos três filhos. Ele ainda foi socorrido com vida para o hospital, vindo a óbito quando recebia atendimento medico.
O outro veículo era também uma moto, guiada por Francisca Fernandes Vieira, 40 anos, residente na localidade de Henrique I, na Zona Rural de Novo Oriente. Ela tinha como garupeiro o seu sobrinho, o adolescente de 17 anos, Antônio Vieira Mota, também residente em Henrique I. A mulher tinha se deslocado até a Localidade Agrovila I para fazer a matrícula de seu sobrinho e, quando retornava para casa, houve o acidente e ela teve morte instantânea. Já o adolescente morreu quando dava entrada no hospital da cidade de Novo Oriente.
Região
Na maioria dos municípios dos sertões de Crateús e Inhamuns, as leis de trânsito não são cumpridas. Cenas de motociclistas sem capacete, crianças transportadas de forma irregular no tanque da moto e condutor dirigindo em alta velocidade são frequentes na sede urbana dos municípios e na zona rural. E assim, os acidentes de trânsito ocorrem diariamente, vitimando especialmente os jovens, que são os mais afoitos e dirigem suas motocicletas em alta velocidade e sem nenhuma segurança.
Dado o elevado número de acidentes, as autoridades de algumas cidades começam a agir com a implantação de medidas preventivas e coibitivas, como é o caso de Novo Oriente. Semana passada, em Parambu, o poder público e a sociedade também se manifestaram com a formação de uma comissão intitulada "Por Amor à Vida" e mais de três mil pessoas foram às ruas em caminhada preventiva sobre o tema.
Mais informações:
Santa Casa
Rua Antonio Crisóstomo de Melo 919, Centro - Sobral
CEP: 62010-550
Telefone: (88) 3112-0400
Silvania ClaudinoRepórter

terça-feira, dezembro 25, 2012

Dona Canô, mãe de Caetano Veloso e Maria Bethânia, morre aos 105 anos

Claudionor Viana Telles Veloso, mais conhecida como Dona Cano, em frente a Igreja Nossa Senhora da Purificação, em Santo Amaro, Bahia.
DE SÃO PAULO Claudionor Vianna Telles Velloso, 105, a Dona Canô, morreu nesta terça-feira (25) em sua casa, na cidade de Santo Amaro da Purificação no Recôncavo Baiano. 

Dona Canô ficou internada por seis dias no Hospital São Rafael e teve alta na sexta-feira (21). 

Em 16 de setembro, quando completou 105 anos com grande festa em Santo Amaro da Purificação (a 67 km de Salvador), onde mora, disse à Folha não ter medo da morte. "Não tenho, não, meu filho. Acredito em Deus e sempre vivi com a minha família, com pessoas do meu lado, com a casa cheia. Acho que esse é o segredo [da longevidade]".

Leia mais em: http://noticias.bol.uol.com.br/entretenimento/2012/12/25/dona-cano-mae-de-caetano-veloso-e-maria-bethania-morre-aos-105-anos.jhtm


FIGURA ILUSTRE Dona Canô nasceu no dia 15 de setembro de 1907, em Santo Amaro da Purificação, na Bahia. Mãe dos cantores Caetano Veloso e Maria Bethânia, dona Canô se tornou uma das personagens mais ilustres de Santo Amaro e do próprio Estado da Bahia.

 Casou-se em 1930 com José Teles Velloso, mais conhecido por Zeca ou seu Zezinho, funcionário público dos Correios, que morreu em dezembro 1983, aos 82 anos.

 "Eu me casei com vinte e três anos. Eu já conhecia Zeca, através de um amigo dele. (...) Nós íamos todo dia passear na praça. Naquele tempo se passeava muito na praça, hoje não se pode. (...) Quando foi um dia, Zeca disse que ia falar com Papaizinho [pai de D. Canô] e que a gente ia se casar. Eu disse: Oxente!" O casamento foi marcado com pressa, porque o Zeca ia ser transferido. (...) Nós casamos no dia 7 de janeiro de 1931." * [trecho de "Canô Velloso - Lembranças do Saber Viver"] Teve oito filhos, sendo a primogênita Maria Clara, e a cantora Bethânia a mais nova. "Quando Maria Clara nasceu eu estava com um ano e dois meses de casada. (...) os outros é que vieram, não sei por que, tão ligeiro assim, um atrás do outro. Um atrás do outro não, porque, de Clara para Mabel foram dois anos, de Mabel para Rodrigo não demorou, foram onze meses, de Rodrigo para Roberto cinco anos, de Roberto pra Caetano quatro anos, de Caetano para Bethânia quatro anos. Só de Mabel para Rodrigo foi rápido.

" INFLUÊNCIA POLÍTICA Dona Canô ganhou mais prestígio em Santo Amaro (BA) do que qualquer político, empresário ou líder religioso da cidade. Na cidade de 60 mil habitantes, localizada no recôncavo baiano (a 71 km de Salvador), ela era considerada mais influente até do que seus dois filhos ilustres, Caetano Veloso e Maria Bethânia.

 Em época de eleição municipal era assediada por políticos de todos os espectros, que buscavam seus conselhos. Dona Canô era a primeira a ser ouvida pelo prefeito quando o município precisava tomar uma decisão, e também recebia visitas de empresários que queriam sua bênção para se instalar na cidade.

 Sua casa, a de número 179 na avenida Vianna Bandeira, no centro, é ponto turístico de Santo Amaro.

 ACM E LULA Dona Canô possuía uma forte e antiga amizade com o senador Antônio Carlos Magalhães (ACM) e, por extensão, com seu grupo de aliados, que mantiveram a hegemonia do poder no Estado durante décadas. Ela esteve presente na missa em homenagem em homenagem a ACM, que faria 80 em 2007, mas morreu em junho daquele ano.

 A amizade que desfrutou com o influente ACM permitiu a dona Canô conseguir diversos projetos de melhoria para Santo Amaro, como a reforma e iluminação da igreja matriz da cidade, ou a construção de um teatro com 380 lugares. O governo do Estado também lhe enviava, sempre que solicitado, doações de artigos como cadeiras de rodas, colchões e agasalhos, que Dona Canô distribuía para centenas de pessoas que se aglomeram na porta de sua casa.

Apesar de tanta influência, a matriarca dos Velloso era humilde: "Se hoje me reconhecem é por causa dos meus filhos. Eu não sou nada", afirmou ela em entrevista à Folha, em 2000. 

A ligação de Dona Canô com Lula também é notória. Em 2002, nas vésperas da votação que daria a Lula seu primeiro mandato presidencial, ela telefonou ao então candidato, e lhe parabenizou pela campanha, chegando inclusive a cantar o jingle da campanha de Lula no telefone, acompanhada de sua família. 

DESAUTORIZANDO CAETANO Lula também foi o motivo de uma das últimas polêmicas protagonizadas por Dona Canô, em 2009, desta vez envolvendo seu filho. Caetano disse em entrevista ao jornal "Estado de São Paulo" em 5 de novembro, que apoiava a candidatura de Marina Silva à presidência da República, porque ela "é inteligente como o Obama, não é analfabeta como o Lula, que não sabe falar, é cafona falando, grosseiro.

" A declaração obteve grande repercussão, o que fez Dona Canô manifestar intenção de ligar ao presidente para pedir desculpas, em nome de Caetano. "Lula não merece isso. Quero muito bem a ele. Foi uma ofensa sem necessidade. Caetano não tinha que dizer aquilo. Ele é só um cantor. Vota em Lula se quiser, não precisa ofender nem procurar confusão."

A polêmica foi encerrada poucos dias depois, quando Lula ligou pessoalmente para Dona Canô para perdoar Caetano pela declaração. "Não fique chateada, preocupada, porque gosto muito da senhora e gosto do Caetano também. Está tudo bem, essas coisas acontecem", disse o ex-presidente. 

SINCRETISMO Religiosa, liderou durante anos a Novena de Nossa Senhora da Purificação, popularmente conhecida como Novena de Dona Canô, tradição católica de quase três séculos que acontece sempre na última semana de janeiro. Essa devoção não a impediu de comandar também as baianas adeptas do candomblé na festa da lavagem da escadaria da igreja. 

segunda-feira, dezembro 24, 2012

FELIZ NATAL!




Novas regras na lei autuam 55 motoristas durante o feriadão


Os motoristas autuados se recusaram a fazer o teste do bafômetro e tiveram suas carteiras de habilitação apreendidas, além de serem multados em R$ 1.915,30
Por: Marcela de Freitas
Em vigor desde a última sexta-feira (21), a efetivação de regras mais rígidas da Lei Seca autuou 53 motoristas que circulavam em rodovias estaduais, que se recusaram a realizar o teste do bafômetro. Já dois motoristas foram presos por dirigirem em de embriaguez, comprovado no teste.
Todos esses condutores tiveram suas carteiras de habilitação apreendidas e foram multados em R$ 1.915,30, além de terem os veículos recolhidos. Os dois motoristas embriagados foram conduzidos a delegacias, liberados somente após o pagamento de fiança e ambos vão responder a processos em liberdade.
Além do aumento no rigor da Lei Seca, a Polícia Rodoviária Estadual (PRE) e a Polícia Rodoviária Federal (PRF) estão ampliando a fiscalização, no sentido de punir os motoristas alcoolizados e diminuir o número de acidentes.
Ao todo, a PRE está com 25 pontos de fiscalização nas estradas cearenses no âmbito da Operação Natal 2012, que tem um efetivo de 420 policiais militares, 42 viaturas, 40 motos, oito guinchos, três semirreboques e, ainda, 88 bafômetros. A ação prossegue até a zero hora da próxima quarta-feira, dia 26. Já a PRF iniciou, a zero hora da sexta-feira (21), a operação Fim de Ano.
Com a alteração da Lei Seca, em vigor deste o dia 21, a multa passou de 957 reais e 65 centavos para um mil, novecentos e quinze reais e trinta centavos, para o condutor de veículo flagrado sob efeito de álcool. Se reincidir na infração dentro do prazo de um ano, o valor da multa será duplicado. Provas testemunhais, vídeos e fotos também podem ser utilizados.

domingo, dezembro 23, 2012

Mascote da Copa de 2014 ganha música de cearenses

A letra, dos crateuenses Edmilson Providência e Ernesto Teixeira, já está fazendo sucesso entre o público infantil
Crateús.
 "Se o Planeta se unir/A natureza vai ganhar/O Brasil parte na frente/e o lema é preservar/ Fauna, flora brasileira/ do sertão ao litoral/ no País do futebol/ samba e carnaval/ Rola bola tatu-bola/ Futebol minha paixão/ Rola bola tatu-bola/ Pra ser Hexacampeão". Esse é um trecho da música "Rola bola tatu-bola", dos crateuenses Edmilson Providência e Ernesto Teixeira, que já está fazendo sucesso entre o público infantil na cidade. Recentemente, no evento da Caravana da Música, que passou pelo município, a música foi tocada em várias oficinas e virou hit entre a criançada. A expectativa dos autores locais é que o hit, que também está em vídeo no you tube (http://www.youtube.com/watch?v=TPiHUtj7Lmk), conquiste os admiradores da ecologia e do futebol no mundo.

As crianças já estão cantando a música do tatu-bola em Crateús. De acordo com os autores, isso mostra que a obra vai conquistar o Brasil e o mundo. O animal tem a habilidade de curvar sobre si, ficando no formato de uma bola Fotos: Silvania Claudino

"Estamos iniciando a mídia aqui pela cidade e iremos para a região, mas, pela aprovação da criançada, já vimos que vai pegar. É fácil de aprender e o público gostou do ritmo. A nossa expectativa é que a música se torne muito conhecida daqui para o maior evento mundial, que é a Copa e, assim, contribuir com a preservação da natureza", destaca Edmilson Providência.

Satisfação

A Associação Caatinga, Organização Não Governamental (ONG), que indicou o tatu-bola para mascote da Copa do Mundo de 2014 e mantém a Reserva Natural Serra das Almas, ficou satisfeita com a iniciativa dos crateuenses e apoia a iniciativa.

"Soubemos da proposta do Edmilson logo no início, quando ele estava construindo a letra e estamos apoiando. São artistas locais e, como o berço da mascote da Copa é aqui em Crateús, colaboramos com muita alegria. Ajudamos a registrar e iremos continuar apoiando, agora com a divulgação para se tornar popular. Já vi crianças cantando. O refrão é bem fácil. Na música, está contida a mensagem ambiental, que é o nosso objetivo", afirma Ewerton Torres, gerente da Reserva, em Crateús.

Conforme Edmilson, a letra e música estão devidamente registradas na Fundação Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, graças justamente ao apoio da Associação Caatinga.

"Tivemos essa imensa colaboração da Associação, que se preocupou e articulou o registro", confirma Edmilson.

Termômetro

Para Ernesto Teixeira, a aprovação das crianças é o termômetro de que a música fará sucesso. "A criançada está cantando mesmo. Vai pegar. Até autógrafo o pessoal já está pedindo", conta o músico que, em parceria com Edmilson, já fez três músicas.

Este ano, inclusive, já foram finalistas do Festival do Cangaço, em Pernambuco com a música "O Cangaço".

Inspiração

Para esta canção, Ernesto conta que teve que madrugar em busca de inspiração. "O tema exige muita responsabilidade por tratar de ecologia e paixão pelo futebol e, além disso, tinha que definir o ritmo", conta. Após algumas análises e discussões entre eles, Edmilson e o intérprete Celso definiram seguir pelo caminho da música eletrônica, ao contrário do natural, que seria o ritmo regional.

"Pensamos, inicialmente, no regional, mas como o evento é universal optamos por uma linguagem universal de ritmos. O forró, nosso ritmo regional seria muito bom porque é a nossa linguagem, mas optamos por universalizar. Vamos falar para o mundo", completa.

A Associação lançou o tatu-bola (Tolypeutes tricinctus) como mascote por ser um animal que só existe no Brasil e que tem a habilidade de curvar-se sobre si mesmo para se proteger quando ameaçado, ficando no formato de uma bola. Ganhou a simpatia da Fifa e do mundo. O bioma Caatinga é um dos habitats natural da espécie.

Paixão

A escolha do tatu-bola como mascote da Copa alia a paixão brasileira pelo futebol à preocupação com o meio ambiente. A ONG acredita que a espécie também exalta e divulga para o mundo algumas das qualidades do povo brasileiro, como a criatividade, a irreverência e o senso de humor.

A expectativa é de que, com a visibilidade que a espécie terá com o Mundial, haja a transferência de recursos para projetos e investimentos na valorização, conservação e uso sustentável do bioma Caatinga, em sua totalidade. A Associação informa que o tatu-bola corre risco de ser extinto em dez anos.

Mais Informações:
Edmilson Providência: (88) 9660.0201/Associação Caatinga: (88) 3691.8671/ Ver o vídeo: http://www.youtube.com/ watch?v=TPiHUtj7Lmk

SILVANIA CLAUDINOREPÓRTER
Reserva ajuda a preservar Caatinga

Crateús.
 Para chegar à Serra das Almas, o visitante percorre 50Km a partir da sede Crateús (distante 360km de Fortaleza). A Reserva é localizada neste município, na Vila de Tucuns e em Buriti dos Montes (PI), em uma área considerada pelo Ministério do Meio Ambiente como de alta importância para a conservação do bioma Caatinga. Belíssimas paisagens e espécies da fauna e flora podem ser vistas do alto da Serra e nas trilhas dentro da Reserva.

Centro Ecológico Samuel Johnson, na Reserva Natural Serra das Almas, onde a Associação Caatinga finalizou o estudo ambiental das microbacias. O local guarda uma riqueza tanto da flora quanto da fauna em mata conservada

O local possui uma biodiversidade muito grande, formada, principalmente, por répteis, anfíbios, mamíferos e aves. Abriga 193 espécies de aves, 42 tipos de mamíferos, 38 de répteis e 20 de anfíbios, além de 419 espécies de plantas. Vale a pena ir ao sertão e conhecer as belezas e riquezas do bioma Caatinga.

O espaço foi criado em 2000 pela Associação Caatinga, que recebeu doação da ONG internacional The Nature Conservancy. As terras integram uma Reserva Particular do Patrimônio Nacional (RPPN) adquirida pelo norte-americano Samuel Johnson. A sede da reserva, no topo, possui centro ecológico de pesquisa e conservação e estrutura para hospedagem. O Centro Ecológico Samuel Johnson, na parte de baixo, tem estrutura para cursos de capacitação e visitas educativas. Foi a primeira Reserva criada pela entidade na região.

A Associação Caatinga, mantenedora da Reserva, desenvolve projetos de apoio à criação e à gestão de áreas protegidas, preservação de espécies em extinção, restauração florestal, educação ambiental e disseminação de tecnologias sustentáveis, bem como de visitações, como é o caso do Roteiro Integrado de Viagem, do projeto Embarque nas Trilhas da Caatinga, aberto recentemente, em parceria com a TAM Linhas Aéreas.

"Procuramos desenvolver algo que atenda aqueles que gostariam de conhecer a Caatinga que - apesar de muitos terem outra ideia - não é feita apenas de seca, possui muitas riquezas tanto da flora quanto da fauna em uma mata conservada", explica o secretário executivo da Associação Caatinga, Rodrigo Castro.

Ao entrar na Reserva, o visitante logo é surpreendido por diversas espécies de animais e aves, característicos do bioma. Muitas plantas verdes - mesmo na seca - e bem cuidadas chamam a atenção do visitante, que é orientado pelos guias a percorrer a Reserva em silêncio, necessário para não espantar e assustar as espécies nativas. Tatu-bola, onça parda, gato maracajá, pica-pau são espécies existentes no local, mas difíceis de serem vistas pelos visitantes ou moradores do entorno da Reserva, nos últimos anos.

Estão ameaçadas de extinção, bem como algumas plantas da Caatinga. Não mexer e não matar nenhum animalzinho, por menor que seja, é outra regra explicada pelos guias.

A vegetação da Reserva surpreende os visitantes, mesmo os que são nativos do sertão e da região. As plantas são de uma cor esverdeada diferente dos outros locais e algumas bem altas, compondo um belo cenário. Até o ar que se respira na Reserva é diferente do restante do sertão. As trilhas são excelentes opções de lazer, porque proporcionam um perfeito encontro com a natureza local.

Grandes árvores e alguns tipos de animais compõem o cenário, como formigas gigantes, que circulam tranquilamente na terra, sem incomodar os visitantes, chamando a atenção somente pelo tamanho. Juazeiros, xique-xique, gameleira e outras frondosas árvores começam a ser vistas pelos visitantes. No centro ecológico, muitos adquirem chapéus, camisetas e livros que falam do bioma Caatinga e da história da ONG. Quadros com fotos dos animais existentes na Reserva chamam a atenção dos grupos de visitantes.

Espécies
193 espécies de aves, 42 tipos de mamíferos, 38 de répteis e 20 de anfíbios, além de 419 espécies de plantas. Este é o acervo da Reserva Serra das Almas

Mais Informações:
Associação Caatinga
Rua Cláudio Manoel Dias Leite, 50 Guararapes - Fortaleza
Telefone: (88) 3241.0759/ http://www.acaatinga.org.br
 

Luizianne defende seu desempenho como gestora


A prefeita explica pela primeira vez o cancelamento do Réveillon, diz que Cid Gomes já tinha planos de fazer a festa, comenta sua decepção com o governador e defende seu desempenho como gestora

O POVO – Qual a marca que a prefeita Luizianne Lins deixa para Fortaleza?
Luizianne Lins – Vou partir do princípio que estou deixando uma cidade radicalmente diferente da que eu recebi, em todos os sentidos. E, principalmente, a alma da cidade. Acho que a alma da cidade foi tocada verdadeiramente. Acho que a cidade foi descoberta pelo Brasil. Os índices oficiais do Ministério da Saúde, do Ministério do Trabalho são impressionantes. Não vi nenhuma cidade no Brasil que teve tanto legado virtuoso, no ponto de vista que a cidade aconteceu.  Como marca, acho que a gestão se caracterizou por começar a construção de um projeto de cidade. Porque essa cidade tava tão defasada do ponto social, político, de cultura política, postura política, que deixamos a marca de perceber, de olhar pra cidade de forma diferenciada. Invertemos a pauta da cidade. Olhamos pro povo mais pobre. Compreendemos que Fortaleza é uma cidade apartada socialmente e juntamos a cidade. Somos responsáveis por inaugurar o primeiro espaço de massa, de socialização das pessoas, que foi o Réveillon. Em sete anos nessa travessia, onde não houve um problema de violência, de denúncias policiais ou coisas do tipo. O evento foi todo caracterizado por uma paz absoluta, de juntar as pessoas mesmo com classe social diferenciada, idade diferenciada, orientação sexual diferenciada. E dá certo e sempre foi caracterizado pelo fenômeno da paz. Isso pra mim é muito forte. Não acho que isso vem por acaso, mas de uma coisa anterior. Porque nós melhoramos em todas as áreas. Por exemplo, essa preocupação da marca do social envolve a diminuição das áreas de risco, da estruturação da defesa civil, que até então só existia defesa civil estadual. Nós começamos a criar e estruturamos a defesa civil municipal. Nenhum cidadão morreu vítima de alagamento ou vítima de problemas nas áreas de risco, que tínhamos muitas. Uma gestão que se caracterizou, por exemplo,  por uma questão forte do pensamento ambiental. Recuperamos lagoas que estavam se acabando e ninguém falava nisso. Ninguém falava em preservar o patrimônio ambiental da cidade. Nós vamos deixar a marca do resgate do patrimônio histórico e cultural da cidade, que também nunca teve. Fortaleza era uma cidade muito largada, que não tinha essa consciência. Deixamos uma cidade com muita virtuosidade no sentido de investimentos. Fortaleza hoje é a cidade do Nordeste que mais abre pequenas e médias empresas. Uma cidade que fez com que a periferia se sinta no direito de cobrar os direitos dela, assim como a área nobre sempre cobrou. A marca da Fortaleza Bela pra nós traz um conceito de cidade para além da infraestrutura física, que nós também melhoramos e fizemos grandes obras. Nós também soubemos fazer a Fortaleza Bela porque nós pegamos uma cidade cheia de lixo. Nós regularizamos a coleta, nós pegamos a cidade com muitos problemas de infraestrutura e resolvemos uma boa parte. Mas a Fortaleza Bela pra nós é uma utopia de cidade que não está, mas está para ser.  Nós iniciamos o processo de construção da Fortaleza. É um legado que nós vamos deixar na consciência das pessoas. Hoje o cidadão mais simples e o mais rico dessa cidade exigem a Fortaleza Bela do mesmo jeito. Porque ele quer a Fortaleza Bela no bairro dele, seja o bairro mais pobre dessa cidade. Eu acho que essa consciência política da cidade, a consciência da cidade para todos, que se percebe senhora de si é um grande legado que nós deixamos. Nós vamos deixar a marca da participação popular. Nós revitalizamos todos os conselhos populares institucionais. Criamos o processo do orçamento participativo que é levado muito à sério por nós, desde as assembleias, desde as definições a as publicações. Dentre nossas grandes obras está o PV, que nós construímos com muito amor. Tem também o transporte escolar gratuito. Os conjuntos habitacionais, o Vila do Mar. A Domingos Olímpio, o Transfor. A avenida Abolição, o riacho Maceió urbanizado. O Paço Municipal foi tombado e restaurado. O Passeio Público, o Estoril. Academia na comunidade, tai chi chuan nas praças,  inclusão social das pessoas com deficiência, estádio Antony Costa no Antônio Bezerra. Criamos praças em cada regional. A gente deixa um legado muito grande na cultura. Não tinha política cultural nessa cidade, só uma Fundação de Cultura, Esporte e Turismo (Funcet). Nós construímos uma Secretaria de Cultura, outra de Esporte e outra de Turismo. A praia de Iracema foi completamente requalificada e resgatada. Tem o espigão da Rui Barbosa e o calçadão da Barra do Ceará. Estou deixando outra cidade. Muito mais inteira.

OP – A senhora fala da consolidação do Réveillon em Fortaleza. A senhora não acha que não fazer o Réveillon nesse momento, vai atrapalhar a sua marca? 
Luizianne - Não vou fazer porque estou saindo mesmo. Se a festa fosse dia 30, dia 29, dia 28, podia ser. Nós vamos fazer um festival de inaugurações na praia de Iracema que vamos ter três shows, 28, 29 e 30. Se fosse período, podia ser. Uma festa daquela você precisa vinte dias antes se dedicar completamente a ela. É uma festa complexa, que envolve muitas responsabilidades. Foi muito duro fazer esse esforço por todos esses anos e ter muita crítica. Crítica da imprensa, do TCM, do MPE, do MPF, do TCU, da CMF, da AL. E processos e processos que até hoje respondo por causa das festas de Réveillon. Agora respondo porque estou aqui, prefeita. E a partir de 1° de janeiro?

OP – Mas a senhora não acha que isso vai pesar na marca que a senhora deixa como prefeita? A senhora não acha que a população não vai lembrar disso como marca final da gestão?
Luizianne - Acho que não. Eu recebi tanto apoio das pessoas pra não fazer. Porque as pessoas sabem que uma marca negativa do Réveillon, caso acontecesse alguma coisa na festa, pode suplantar todas as outras marcas boas que deixei. É um momento delicado, eu tô saindo. As pessoas têm que entender que meu governo acabou. Durante meu governo eu posso fazer as coisas e me responsabilizar por elas. Eu não tenho medo de enfrentar dificuldades, tanto que fiz um Réveillon ano passado com um milhão e meio de pessoas, mesmo com a greve da polícia militar. O Réveillon já é pra estar consolidado ao ponto de que hoje a própria cidade, a iniciativa privada, entre de cabeça e o poder público venha só auxiliar, como acontece em outros lugares. Nós não conseguimos ainda que a inicitiva privada comprasse pra si a ideia da festa e o poder público só ajudasse. A carga ainda é toda sobre o poder público municipal. Mas, acho que isso não vai ficar marcado na cabeça das pessoas não. As pessoas entendem que no final das contas foi um produto criado por nós, mas que meu governo acabou.Nunca me foram dadas as seguranças necessárias do ponto da segurança pública pra fazer a festa. A Secretaria do Patrimônio da União cedeu o aterro pra fazer uma festa recentemente, mas, até agora, estranhamente, não licenciou pra nós. Então, não me senti à vontade. Porque, no fundo, o que o governador queria era fazer a festa, era me tirar esse legado. Talvez por isso as instituições que estão no entorno fizessem com que a gente, a esta altura do campeonato, não tivéssemos a estrutura pra fazer a festa.

OP – A senhora acha que o governador já tinha planos de fazer a festa?
Luizianne - Acho. Eu tava sendo abordada por pessoas que estavam querendo saber de forma muito ansiosa se eu não ia fazer a festa. Pessoas, produtores que estavam interessadas em fazer a festa como se já soubessem que ela ia ser feita. Como é que uma pessoa diz que não vai fazer a festa num dia  e no outro dia os artistas estão todos contratados? Não existe isso. Como o governo dele está em curso, no próximo ano ele continua governador, facilita pra ele. Não acho que isso vai me deixar uma marca negativa não. Eu não sei se a policia militar, a segurança que é do Governo do Estado, que não é mais meu aliado, vai de fato cumprir com as responsabilidades institucionais que eles têm e que contei durante todos esses anos.

OP – Uma das marcas dos especialistas que ouvimos foi da Luizianne como mulher guerreira, heroína, mulher simples, mulher que veio pra trabalhar para o povo. A senhora acha que se encaixa nesse perfil?
Luizianne - Acho que sim. Acho que meu objetivo foi esse, governar pro povo mais simples, não que a gente tenha esquecido de governar para todos. Mas pra governar pra todos é tratar diferente os diferentes. Por que o nosso Réveillon sempre foi da paz? Porque a visão da festa é que todos são importantes pro poder público. Uma outra marca que eu não tenho dúvidas que vou deixar é na qualidade das nossas obras. Nossas obras são de excelente qualidade. Obras maravilhosas para as pessoas pobres, porque a gente acha que todo cidadão merece a mesma qualidade de obra, coisa boa. Você vê um Cuca, um Hospital da Mulher, fizemos com bom gosto, com detalhes. O Paço, o Estoril, são todas obras de qualidade, como o povo merece.

OP – Os especialistas ouvidos falaram também que faltou gestão, faltou execução, faltou a prefeita executora. Como a senhora encara isso?
Luizianne - É completamente equivocada essa avaliação. As pessoas têm uma concepção formal, burocrática do que seja gestão.  O que é gestão além de você tirar a cidade de um buraco financeiro, sanear as finanças da cidade, captar mais de 1 bilhão de obras e projetos da cidade e executar mais do que nós executamos? Vila do Mar, Praia de Iracema, 81 novas escolas construídas padrão MEC, 900 novas salas de aula, criação da defesa civil, ampliação da guarda municipal, transfor, 190 km de rebaixamento de calçadas, drenagem urbana em 60% da cidade, casas construídas, iluminação de áreas de risco, lagoas urbanizadas...Isso é gestão. Isso é execução. Isso é obra.

OP – A senhora acha que essa avaliação se deve às obras inacabadas? Os dois CUCAS prometidos, das regionais V e VI, ainda não foram entregues.
Luizianne - Esses dois serão inaugurados, sim, antes do fim do meu governo. Não é porque as obras são inacabadas, é porque Fortaleza precisava de muita obra e eu abri muitas frentes  de serviço de obras porque eu consegui muito dinheiro pra investir na cidade. Fortaleza é a cidade brasileira que, desde 2006, mais investe recursos externos em obras. Tivemos recursos do BNDS, BID, CEF, Governo Federal. Nós fizemos obras demais porque a cidade precisava. E não é que não terminou. Por exemplo, nós terminamos o Transfor 1, mas tem o Transfor 2 e o 3. Mas não podemos fazer tudo em 8 anos. Nós recebemos o caixa de dívida fundada, que é dívida de empréstimo, no valor zero. Estava zerado.  E vamos deixar mais de um bilhão de reais pro próximo prefeito. Tudo eu comecei do zero: os projetos, depois captar recursos, depois licitar. Não tinha nada como estou deixando. Estou deixando o projeto licitado da Beira Mar inteiro. 204 milhões de reais capitados, ele só tem que executar.  A visão geral da cidade, e o que ela precisava, era muita coisa.  E muita coisa foi concluída. O Paço Municipal foi concluído, também o Passeio Público, o Jardim Japonês, a Praia de Iracema, o Estoril, o Pavilhão Atlântico, o Boulevard da Almirante Tamandaré, o Espigão da Praia de Iracema, o Vila do Mar, aumento de praia, indenização das casas, foi construído mais de 500 casas no Vila do Mar e outras estão em construção de forma a somar 1.300. O que é isso, se não executar? Essa cidade nunca viu, nos últimos 50 anos, tantas obras quanto nós fizemos. Foi o governo que mais fez obra na cidade e tá deixando dinheiro, projeto licitado e obras apenas pra executar. Não foram concluídas algumas obras porque foram tantas, que uma ou outra vai ficar por ser concluída. Mas o caminho foi dado e há dinheiro para que se finalize a execução.  O Hospital da Mulher foi entregue, vão ser entregues 3 Cucas, escolas padrão MEC. O que é gestão, se não isso? Acho que isso é um preconceito.

OP – Preconceito pelo fato de a senhora ser mulher?
Luizianne - Não, isso é um preconceito com a minha forma de ser e como eu trabalho. As pessoas têm uma visão tradicional de gestor, e eu não sou uma gestora tradicional. Isso não quer dizer que eu não tenha feito uma grande gestão.

OP – Mas a senhora acha que sofreu algum preconceito por ser uma gestora mulher?
Luizianne - Muito!

OP – Inclusive na execução? Houve essa coisa de “a mulher não sabe gerir”?
Luizianne - Sempre querem estabelecer isso. Quando é boa na política dizem que não sabe fazer gestão. Como? Quem foi o prefeito dessa cidade que fez tanta obra quanto eu fiz? Qual prefeito mais fez essa cidade se movimentar culturalmente? Isso não é gestão? O que é gestão, então? Isso é uma visão burocrática, preconceituosa do que seja gestão.

OP – O candidato da senhora, completamente desconhecido, teve quase metade dos votos da população de Fortaleza no segundo turno. O que faltou para que Elmano de Freitas (PT) conquistasse mais do que os 48% de eleitores que foram insuficientes para que ele fosse eleito?
Luizianne - Eu tenho uma visão de que a eleição nos foi tomada. Tanto é que existe uma ação que questiona isso. Até a véspera da eleição a pesquisa estava rigorosamente empatada. O que eu acho foi que não faltou compreensão, mas houve uma série de irregularidades no processo eleitoral como antes essa cidade nunca viu. Essa cidade no dia do segundo turno nunca foi tão agredida. Nunca, geração alguma que eu conversei, viu algo parecido com o que aconteceu naquele dia. Nem na época dos coronéis se viu tanta agressão à cidade. Mais de 100 mil pessoas se deslocaram do interior pra cá para fazer isso. Mas, acho que eu pequei num ponto. Eu achava que inaugurar obra não era importante, eu tinha mais era que fazer. Achava que inaugurar era vaidade. Qual o gestor que em quatro anos construiu mais de 40 escolas no padrão MEC? Não sei. O que eu acho foi que faltou mostrar à população tudo o que foi feito.  O que me faltou foi uma estratégia mais organizada na comunicação, e ao mesmo tempo, talvez, essa gestão do espetáculo que eu não gosto de fazer. Tem gente que faz as coisas pela metade e divulga dez vezes como se tivesse feito. Eu fiz dez vezes e divulguei pela metade. Eu acho que isso aí é algo que eu reavaliaria. Mas, com relação a todas as outras coisas, eu faria tudo de novo, mesmo sendo incompreendida.  Eu faria mais uma vez o Vila do Mar antes da Beira Mar, mesmo sabendo que era uma área onde os formadores de opinião só transitam na área nobre da cidade e não sabem nem que o Vila do Mar existe, mas eu faria de novo por uma questão moral. Porque a minha história como militante de direitos humanos e como amante dessa cidade, me faz ver que eu tinha obrigação moral e ética com esse povo em primeiro lugar, que esse povo tava sofrendo há mais tempo.

OP – Como a senhora avalia sua imagem depois da eleição?
Luizianne - Eu não sei precisar isso. Mas, ouvi uma coisa do Lula que foi muito bacana. Quando ele me chamou no Instituto Lula depois da eleição, ele me disse uma coisa interessante: “Luizianne,  você sai mais forte do que quando você foi reeleita em 2008. Porque primeiro você não tava pedindo voto pra você, e quando a gente não pede voto pra gente é sempre mais difícil. E a segunda coisa é que estavam todos do seu lado em 2008: PMDB, PCdoB, PSB. E agora estavam todos contra você. E mesmo assim você conseguiu quase a metade da cidade do seu lado lhe apoiando. Então você agora sai politicamente mais forte”.  Ouvi dele isso e isso pra mim foi muito confortante, um sentimento de entender que várias pessoas, apesar de tudo, reconheceram nosso trabalho. E principalmente o povo que foi testemunha ocular disso. Os conselheiros do orçamento participativo, por exemplo, foram testemunhas de problemas que foram resolvidos que não estavam na visão da classe média ou da área mais nobre da cidade. Pouca gente sabe que tem uma ponte maravilhosa, uma obra gigantesca, fruto do orçamento participativo. É uma ponte que liga o José Walter ao Conjunto Palmeiras, se chama Valparaíso. Um projeto de estrutura maravilhoso. Mas quem sabe disso? Só o povo que mais precisava da ponte. Eu sou muito crítica com quem acha que a cidade é um espaço pra se ficar experimentando suas vaidades. Todas as obras da cidade têm que estar em sintonia com o pulsar da cidade, com as pessoas que moram na cidade. Só em ter feito um governo pautado por isso, isso pra mim já é uma grande vitória.

OP – O sentimento agora é de decepção com os que eram aliados até pouco tempo e depois da derrota acharam muito fácil pular do barco? Os seus antigos aliados do PMDB, PSB, não foram prestigiar a visita da presidente Dilma ao Hospital da Mulher.
Luizianne - Minha maior decepção foi com o governador Cid Gomes, porque era uma pessoa em que eu acreditei em determinado momento. Eu confiei nele. Principalmente quando ele não era nada, apenas ex-prefeito de Sobral . E eu achei que ele era diferenciado. Pra mim, ele foi uma profunda decepção. Decepção pela forma como ele me tratou, pelo que ele disse de mim. Coisas injustas e duras com a minha figura pessoalmente. Eu nunca o ofendi, principalmente em momentos que ele mereceu até. Eu nunca fiz isso, porque aliado não é pra fazer isso. Eu me decepcionei muito com a agressão que ele me tratou, com as coisas que ele disse pessoalmente de mim, críticas injustas à minha pessoa.  A minha vida toda eu dediquei a política, faz 14 anos que eu não tiro férias oficiais. E ele ter dito que eu não gostava de trabalhar e só gosto de fazer confusão foi de um desrespeito enorme. De uma arrogância profunda que eu não esperava dele. Ele é minha pior decepção  porque foi nele que eu mais coloquei expectativa. Hoje, não. Acho que ele é dissimulado. Acho que ele é enrustido, no sentido de não falar, mas na hora que ele acha que é conveniente ele vai lá e agride. Eu não esperava isso dele. Mas tem muita gente fiel também. Parceiro e companheiro nas dificuldades. Mas a minha principal mágoa é dele. O resto faz parte do jogo, da história. Não criei expectativa com outras pessoas, mas com ele sim. Se eu soubesse que essa história seria contada dessa forma  e que ele me agrediria na forma como me agrediu, eu jamais tinha levado muitos dos meus a apoiá-lo como eu fiz, acreditando nele, na pessoa dele. Isso pra mim foi doloroso.

OP – Qual a diferença entre a Luizianne que entrou na prefeitura em 2005 e a que sai agora em 2012?
Luizianne - Mais madura no sentido da compreensão de todo esse processo. O Executivo é um poder muito duro. Eu fui oito anos parlamentar e estive oito anos no Executivo, e o Executivo é incomparável no sentido de ser muito duro como poder mesmo. São várias decisões a serem tomadas, os conflitos sociais que você tem que estar o tempo todo se posicionando, é preciso ser muito forte. Por isso, é impossível você sair do mesmo jeito.  Hoje eu me sinto preparada pra qualquer coisa, depois que eu passei por isso.

OP – A senhora será candidata a governadora ou senadora em 2014?
Luizianne - Isso serão águas futuras que ainda não estão postas. Sobre isso eu não falo porque também tenho muitas dúvidas do que vai ser da minha vida daqui pra frente.

OP – E no dia 1° de janeiro de 2013? O que a senhora pensa em fazer?
Luizianne - Depois que eu transmitir o cargo ao prefeito eleito vou sair no meu Pálio, meu carro particular, e fazer o que eu não faço há 16 anos: cuidar das minhas vontades, dos meus desejos, dos meus hobbies. Vou ler, escrever, estudar. Vou cuidar do meu filho porque fui muito ausente, não estive presente, viajei muito. A partir desse dia eu vou buscar contato comigo mesma. Pelo menos no mês de janeiro vou fazer isso. Me permitirei ficar sem preocupações. Porque você nunca deixa de ser prefeita, ainda mais no meu caso, porque meu atual vice foi eleito deputado. Então, eu não tenho vice. Mas em tempo integral você é prefeita, sua vida vira isso, você está trabalhando nisso e só pensa nisso. Eu sempre fui muito dedicada, então vou pensar em mim. Desde muito jovem cuidei do povo, dos outros, então agora vou olhar pra dentro e me encontrar de novo, a Luizianne pessoa física.

OP – Mas já tem uma ideia para onde a senhora vai?
Luizianne - Vou passar o mês de janeiro fora. Vou para o Rio de Janeiro. Na hora que sair daqui vou direto pro aeroporto, sozinha. Vou olhando o tempo, sem me preocupar de forma concreta com a responsabilidade que é ser prefeita de uma cidade tão grandiosa como essa. Pela primeira vez, depois de 16 anos de vida pública institucional e quatro anos de vida pública do movimento social, sindical, estudantil, partidário, eu fecho um ciclo de 24 anos de vida pública.,

OP – A senhora vai pra Câmara na posse de RC?
Luizianne - A cerimônia vai ser aqui, no Paço. Vou fazer mais ou menos como foi a passagem do dr. Lúcio Alcântara para o Cid. O Cid tomou posse na Assembleia sem o dr Lúcio, e depois foi pro Palácio da Abolição pra transmissão de cargos, que são duas cerimônias diferentes.  Eu vou fazer ao menos isso. Vou sair daqui no meu carro particular para o aeroporto.

OP – Como fica a relação da senhora com a UFC?
Luizianne - Vou pedir licença pra interesses particulares porque eu preciso estudar pro mestrado. É isso que eu vou fazer agora. Eu fazia mestrado na UFC de Filosofia Contemporânea, mas fui jubilada porque comecei a disputar a Prefeitura. Agora, vou estudar pra um novo mestrado e depois doutorado. E vou continuar sendo presidente estadual do PT até novembro, porque o  ex-presidente Lula e a presidente Dilma me chamaram em momentos diferenciados e pediram que eu não saísse da vida pública de Fortaleza, nem da presidência estadual do PT. Porque eu pretendia me licenciar também da presidência estadual do PT. Isso o Rui Falcão, que é presidente nacional do PT também me pediu. Ou seja, é um pedido de pessoas muito especiais, por isso vou atender. Vou ficar só janeiro afastada, mas a partir de fevereiro estou de volta às atividades como presidente estadual do PT no Ceará e devo ficar até novembro.

OP – Qual a mensagem que a senhora deixa como prefeita numa última entrevista como prefeita?
Luizianne - Primeiro, que eu saio com o coração alegre, porque eu saio com o sentimento de dever cumprido. Fiz um governo onde procurei dar o máximo de mim, principalmente do ponto de vista ético. Saio sem nenhum tipo de escândalo nem nada que me envergonhe, muito pelo contrário. Em oito anos, fiz as coisas direito e saio do jeito que eu entrei. Isso é um motivo de alegria muito grande. E fiz tudo o que eu podia, me dediquei mesmo a essa cidade. De corpo e alma. A única coisa que eu queria é que as pessoas entendessem que essa cidade não pode dar nem um passo pra trás, em nenhum aspecto. Porque os passos mais difíceis foram dados. Agora a cidade tem que cobrar mais conquistas ainda. Tenho um amor grandioso por essa cidade, sou apaixonada por Fortaleza. Nunca sai daqui pra morar fora, vivi minha vida toda aqui. Isso porque acredito nessa cidade, no potencial do povo, no potencial econômico e turístico dessa cidade, acredito na nossa Fortaleza. Saio acima de tudo com sentimento de dever cumprido. Tudo o que podia ter sido feito eu fiz. Fiz até coisa demais, tanto que não deu tempo de terminar. Não pequei por omissão, mas por excesso. E isso só me deixa muito orgulhosa e feliz, além de grata à metade da cidade que, oito anos depois, compreendeu a nossa luta e foi lá e marcou a diferença votando no candidato do PT para dar continuidade ao nosso projeto. Ou seja, pelo menos metade da cidade queria a continuidade do projeto. E isso pra mim é motivo de muita alegria e só aumenta meu carinho por essa cidade.

OP – O PT vai continuar aliado ao PSB? Já decidiram se farão oposição ao Cid?
Luizianne - Não. Isso é uma discussão que faremos no início do próximo ano. Em fevereiro retomaremos esse debate.

sábado, dezembro 22, 2012

Eduardo Campos: "Estarei com Dilma em 2014"


SEM ARROUBOS O governador Eduardo Campos no Porto de Suape. “Quem é amigo da Dilma, amigo do Brasil, não botará campanha na rua” (Foto:  Leo Caldas/Ed. Globo)
"Não tenho tido a oportunidade nem o tempo de falar o que vou falar aqui. Quero dizer como está minha cabeça neste instante.” Foi com essa disposição de espírito que o governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB recebeu ÉPOCA num final de manhã, em entrevista que entrou pela tarde. O cenário foi a sala de reuniões contígua a seu gabinete, no subsolo do Centro de Convenções, em Olinda, de onde exerce seu segundo mandato desde que o Palácio do Campo das Princesas entrou em reforma. Pela primeira vez numa entrevista, Eduardo Campos foi taxativo em relação ao assunto do momento: sua possível candidatura à Presidência da República em 2014. “Não é a hora de adesismos baratos, nem de arroubos de oposicionismos oportunistas”, disse. “Queremos que a presidenta Dilma ganhe 2013 para que ela chegue a 2014 sem necessidade de passar pelos constrangimentos que outros tiveram de passar em busca da reeleição.”
 
ÉPOCA – Estou convencido de que o senhor é candidato a presidente da República em 2014. É?
Eduardo Campos – E aí sou eu que vou ter de lhe desconvencer (risos). Tenho um amigo que é jornalista, experiente, que outro dia me disse: “Fulano de tal é candidato, e ninguém acredita. Você diz que não é, e ninguém acredita”. O que é que posso fazer? Na minha geração, poucos tiveram a oportunidade que tive de conviver com quadros políticos que sempre fizeram o debate com profundidade, olhando objetivos estratégicos, os interesses da nação, do povo. O quadro político que tem acesso a essa formação, e que a amadurece, percebe que suas atribuições e sua responsabilidade impõem essa visão que vai muito além do eleitoral e está até acima do eleitoral.
ÉPOCA – Explique melhor.
Campos –
 Nesse curto espaço de tempo, vamos decidir muita coisa no Brasil. Estamos vivendo uma crise sem precedentes lá fora. Essa crise há de gestar outro padrão de acumulação de capital. Outros valores vão surgindo. Com a importância que tem nesse concerto internacional, o Brasil fez, nos últimos anos, alguns avanços importantes. Na quadra mais recente, viveu três ciclos: o ciclo da redemocratização, o ciclo da estabilidade econômica e um ciclo do empoderamento da pauta social, uma coisa que se transformou, inclusive, em política econômica. Na brevíssima democracia que nós temos, tivemos líderes que, a seu modo, por suas virtudes e vicissitudes, interpretaram o que era um acúmulo de consenso na sociedade. Tiveram a capacidade de orquestrar frentes políticas que deram apoio e força política para viver esses ciclos.
>>Gilberto Kassab: "Teremos candidato próprio em São Paulo" 

ÉPOCA – O que é que o senhor vê neste cenário de crise?
Campos –
 Que essa disputa entre estes dois blocos que surgiram no processo da redemocratização, um liderado pelo PT – onde sempre estivemos incluídos – e outro pelo PSDB, muitas vezes com posições assemelhadas em relação a determinadas coisas, fez com que o país e o povo ganhassem. Houve conquistas para a população, no ciclo comandado pelo PSDB, e houve equívocos. E houve muitas conquistas no ciclo em que estivemos sob a liderança do presidente Lula. Essas conquistas não estão inteiramente consolidadas. Se a gente eleitoralizar esse momento, se a gente não pensar o país de forma larga, a gente pode se ver como lá noQuincas Borba (romance de Machado de Assis): “Aos vencedores, as batatas”. Mas o que você não pode, num momento como este, dessa importância, é interditar o debate político.
ÉPOCA – Debate que já está colocado.
Campos –
 A gente tem de compreender, a gente tem de respeitar, tem de fazer esse debate, ter a disposição de estimulá-lo. Os partidos puxam para o eleitoral, os quadros, a militância, a mídia que cobre isso, tudo puxa para o eleitoral. É natural. A gente tem de ter calma, paciência, e compreender. Agora, ninguém pode dizer o que acontecerá em 2014, nem quem está liderando esse processo, a própria presidenta Dilma. Ela tem nossa confiança, foi nossa candidata, com quem temos identidade, respeito pelos valores que ela traz para a vida pública. Ela é uma mulher que tem dignidade, tem força de pelejar com seus valores. Nem ela pode, a uma altura desta do campeonato, permitir que o debate se eleitoralize. Quem é amigo da Dilma, amigo do Brasil, não botará campanha na rua, nem da oposição nem a campanha da Dilma.

ÉPOCA – O senhor daria uma grande contribuição a essa tese que está defendendo agora – não eleitoralizar o debate neste momento – dizendo, com todas as letras, que apoiará a reeleição da presidente Dilma em 2014. Isso é água na fervura, acaba com a eleitoralização do debate.
Campos – 
Nosso partido foi o partido que tomou a decisão de não ter um candidato que tinha ponto na pesquisa para apoiar a presidenta Dilma. E passamos todo o tempo dizendo que a candidatura natural é a candidatura da Dilma.
ÉPOCA – Então, o senhor apoiará a reeleição da presidente Dilma em 2014?
Campos –
 Não há dúvida, não. Qual é a dúvida? Estamos na s base de sustentação. Não tenho duas posições. Quem defende a presidenta Dilma neste momento deseja cuidar em 2013 do Brasil. Quem pode cuidar do Brasil é Dilma. Nós temos de ajudá-la a ganhar 2013. Ganhando 2013, Dilma ganha 2014. Então a forma de ajudar Dilma é dizer: em 2014 todos nós vamos estar com Dilma. Claro. Por que não vamos estar com Dilma? Nós rompemos com Dilma? Saímos do governo de Dilma? Saímos da base dela? Você conhece algum programa criado pelo PSB constrangendo algum programa, alguma decisão da presidenta Dilma? Não existe nenhum. Agora, entendemos que é a hora de cuidar do Brasil. Temos muitas ameaças e possibilidades pela frente.
"É uma verdade que eu sou
amigo de aécio neves. mas,
Em palanque nacional, a última vez que estive com ele foi no palanque do Doutor Tancredo"
ÉPOCA – O senhor está dizendo algo como: “Oposição, tira seu cavalinho da chuva, porque em 2014 vou marchar com a presidente Dilma e com esse campo político do qual venho participando ao longo destes últimos anos”?
Campos –
 As pessoas dizem: “Eduardo é amigo de Aécio Neves”. É uma verdade. Mas a aliança feita em Belo Horizonte (PSB-PSDB) foi gestada por mim? Não. Foi gestada por Fernando Pimentel, que é uma pessoa ligadíssima à presidenta, ministro dela, e por Aécio. Eles me chamaram para perguntar se o PSB toparia filiar o Márcio (Lacerda, do PSB, que venceu a eleição para prefeito). Essa é que é a história. Em palanque nacional, a última vez que estive com Aécio Neves foi no palanque de doutor Tancredo. Agora, daí a desejar que a gente não dialogue... O presidente hoje do PSDB nacional é um deputado federal (Sérgio Guerra) que foi secretário do meu avô (Miguel Arraes, exilado político e ex-governador de Pernambuco) nos dois governos dele. Convivemos com ele, foi do meu partido, é meu amigo pessoal, com quem dialogo, e nem por isso esteve no meu palanque nas últimas eleições.
ÉPOCA – Dita com as palavras do ex-ministro Roberto Amaral, seu vice-presidente no PSB, a frase seria esta: “No plano nacional, não é possível fazer uma aliança com o PSDB”.
Campos –
 O PSDB está numa situação em que não defendeu nem o legado do Fernando Henrique nem propôs ainda algo que se coloque em debate na sociedade. E é isso que Fernando Henrique tem cobrado do partido, com grande lucidez. A hora é de qualificar o debate. Não vou entrar nesse debate de maneira desqualificada. Em respeito a meu partido, em respeito à presidenta e em respeito, sobretudo, ao país.
ÉPOCA – Por que o senhor quer ser presidente da República?
Campos –
 Quem lhe disse isso?
ÉPOCA – O senhor quer? O senhor tem esse sonho de ser presidente da República?
Campos –
 Deixa eu falar, com toda a tranquilidade: quando quis ser governador, disse às pessoas que queria ser governador. Procure neste país alguém que procurei dizendo: “Quero ser candidato a presidente da República”. Em março de 2005, disse que seria candidato a governador em 2006 (foi e ganhou, no segundo turno, com 65,36% dos votos). Agora eu não disse isso. É preciso saber que, na política, também há pessoas que pensam, sem necessariamente se colocar. E sei o que é que vou viver, esse estresse todo, as pessoas querendo, achando que devo ser, que posso ser, que vou ser, outros olhando de um jeito diferente, ou com uma desconfiança, porque as circunstâncias políticas no Brasil vão, no ciclo pós-Dilma, escolher novas lideranças que pautarão o debate político. Então tem de ter calma. Estou sereno, tranquilo. No dia em que eu vier a querer ser presidente, vou responder a essa pergunta. Mas hoje não.
ÉPOCA – Foi por isso que o seminário dos prefeitos eleitos do PSB, no final de novembro, com 600 participantes, não virou uma festa de lançamento de sua candidatura, como alguns setores esperavam?
Campos – Se eu quisesse, tocava fogo naquilo ali. Podia pedir a um governador, a um deputado.
ÉPOCA – E por que isso não aconteceu?
Campos –
 Porque a gente tem um debate político feito no partido. Nós temos responsabilidade. Calma! O país está numa situação de muita dificuldade. Se a gente não ganhar 2013, podemos botar abaixo 20 anos de construção brasileira. Se a gente importar essa crise, começar a destruir o mercado de trabalho, começar a eleitoralizar esse debate, ir para a luta fratricida e não sei mais o quê, vamos desmontar grande parte do que foi a conquista dos últimos 20 anos. É isso que está em jogo. E quem você acha que vai ser respeitado como quadro político? Quem for fazer a disputa eleitoral pela disputa
eleitoral? Ou quem pautar o que interessa à sociedade?